O co-fundador do Wikileaks Daniel Domscheit-Berg vai lançar, na segunda-feira, um site rival, chamado Openleaks, para ajudar fontes anónimas a divulgar documentos sensíveis.

A televisão sueca STV vai difundir no domingo um documentário, citado pela hoje, sexta-feira, pela agência noticiosa norte-americana AP.

"O Openleaks é um projecto tecnológico que pretende ser um fornecedor de serviços para terceiros interessados em aceitar material de fontes anónimas", disse Domscheit-Berg, ex-porta-voz do Wikileaks, em entrevista à STV realizada em Berlim.  

A AP, que teve acesso ao documentário, tentou falar com Domscheit-Berg em Berlim, mas este disse-se indisponível por estar a trabalhar num livro sobre o tempo em que fez parte do Wikileaks.  

O jornalista da televisão sueca Jesper Huor afirmou no documentário que o Openleaks vai ser lançado na segunda-feira a partir de uma base na Alemanha, como parte de uma fundação ainda desconhecida e que será dirigida por um conselho de administração.  

O novo 'site' surge numa altura em que aumenta a pressão sobre o Wikileaks e o seu fundador, o australiano Julian Assange, por ter começado a divulgar a 28 de Novembro cerca de 250 mil telegramas diplomáticos dos Estados Unidos.  

O 'site' do Wikileaks foi alvo de ataques informáticos e Assange, actualmente detido no Reino Unido devido a um pedido de extradição da Suécia baseado em acusações de crimes sexuais, disse ter sido ameaçado de morte.  

A organização viu muito reduzida a sua capacidade de financiamento, depois de a Mastercard, Postfinance, Visa e Paypal, entre outros, terem deixado de aceitar pagamentos para o Wikileaks.  

Domscheit-Berg, que enquanto pertenceu ao Wikileaks usou o pseudónimo Daniel Schmidt, disse ter abandonado o projecto devido a divergências profundas com Assange sobre o que considerou ser falta de transparência no processo de decisão na organização.  

"Se pregamos a transparência a toda a gente temos de ser, nós próprios, transparentes. Temos de cumprir os mesmos critérios que exigimos aos outros e penso que é aí que nós já não estamos na mesma via", disse no documentário.  

Segundo explicou, o principal problema começou quando o 'site' começou a lidar com fugas de informação maiores, como a divulgação de 400 mil documentos militares norte-americanos sobre o Iraque, em Outubro, e 76 mil sobre o Afeganistão, em Julho.  

Essas divulgações obrigariam à mobilização de demasiados recursos, explicou. "Penso que o mais sensato teria sido fazer isto devagarinho, passo a passo, deixar o projecto desenvolver-se. Isso não aconteceu", disse.

Fonte: Jornal de Notícias

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