Ao longo dos dias 4 e 5 de dezembro, capital portuguesa vai ser o palco do Kaspersky Academy Partner's Summit, o qual reúne investigadores e especialistas de todo para discutir o futuro da cibersegurança. Para dar início ao primeiro dia da conferência, Sergey Novikov, Deputy Director da Global Research & Analysis Team da Kaspersky, deu a conhecer as tendências de 2019 na área do cibercrime, assim como as principais previsões para 2020, dando também ênfase à importância da cooperação entre investigadores, especialistas e até países.

Na sessão "Defense Strategies against the Ever-growing Number of Cyberweapons", o responsável revelou que no terceiro trimestre de 2019, foram bloqueados quase mil milhões de ciberameaças em 203 países, sendo que 14,64 milhões de itens maliciosos, desde scripts a ficheiros executáveis, foram também travados. A vasta maioria dos ataques reportados neste período tiveram origem em apenas 10 países, elucidou Sergey Novikov.

Segundo o responsável, cerca de 21,1% dos computadores a nível global enfrentaram pelo menos um tipo de ciberameaça no terceiro trimestre de 2019. Entre as aplicações mais exploradas por hackers mal-intencionados estão programas à semelhança da suite de produtividade Microsoft Office, o qual corresponde a pelo menos 70% dos ataques reportados, o Adobe Flash Player e o Acrobat Reader, o sistema operativo Android e a plataforma Java.

Diariamente, o número de ameaças interceptadas pela Kasperky ultrapassa os 30.000. No atual cenário, a vasta maioria dos ataques enquadram-se naquilo que designa a empresa designa como cibercrime tradicional,  Já 9,9% do total corresponde a ameaças direcionadas a organizações, entidades ou indivíduos em específico, como jornalistas ou dissidentes políticos, as quais se tem vindo a tornar cada vez mais sofisticadas. Já no topo da "pirâmide do cibercrime" está a utilização de ciberarmas, a qual embora corresponda a apenas 0,1% não deixa de ser uma das principais preocupações da empresa.

Tendências atuais e previsões para o futuro

Em 2019, uma das principais tendências foi o aumento de ataques de "supply chain". Tal como indicou Sergey Novikov, um dos casos mais sonantes detatados pela empresa de segurança neste ano foi o da "Operation Shadow Hammer". Nele, um grupo de atores maliciosos conseguiu modificar 0 sistema de atualizações da ASUS para disseminar malware através dos canais oficiais da empresa.

À semelhança do que a empresa de segurança tem vindo a indicar ao longo dos últimos anos, os ataques de malware via mobile viram um crescimento neste ano. A utilização de trojans bancários, os quais roubam as credenciais dos sistemas de pagamento eletrónico e dos serviços bancários online das suas vítimas, através da interceção de senhas de uso único, enviando os respetivos dados para os hackers continua a ser uma das principais tendências neste âmbito. Além disso, os investigadores notaram um aumento da utilização de spyware que têm como alvo dispositivos móveis.

Entre as tendências que marcaram o mundo do cibercrime em 2019, Sergey Novikov destacou também o crescente número de botnets ligadas aos dispositivos IoT, de ataques a routers e até a assistentes inteligentes. De acordo com o responsável da Kasperky, os utilizadores partilham informações sensíveis com o Google Assistent ou com a Siri, por exemplo, algo que pode ser uma porta de entrada para o cibercrime.

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