Em entrevista à agência Lusa à margem da visita que realizou à cidade da Praia nos últimos dias, a empresária angolana recordou que o investimento em Cabo Verde “não foi, no início, fácil”, tendo em conta a realidade do país, que acabou por evoluir “muito e positivamente nos últimos anos”.

“Hoje há uma grande aposta para Cabo Verde se tornar uma ‘smart island’, uma ilha tecnológica, há uma grande aposta digital e efetivamente é nesse setor que temos estado a investir, investimos nas telecomunicações e hoje pensamos em investir também na economia digital, ou seja pensar soluções para negócios, soluções digitais que possam ser aplicados nos pequenos e médios negócios”, afirmou.

Sem adiantar mais pormenores, a empresária, que disse ter investido cerca de 100 milhões de euros nos últimos anos na economia cabo-verdiana, desde logo com a operadora de telecomunicações Unitel T+, refere que o objetivo do investimento que prevê é ter “soluções que seriam criadas cá em Cabo Verde”.

“Desenvolvidas com empresas tecnológicas cá e que depois poderiam ser vendidos para outros países em África, uma vez que muitas vezes as soluções digitais que são precisas para as nossas economias têm realidades um bocadinho diferentes das realidades europeias ou ocidentais. E acho que nesse sentido Cabo Verde é uma boa plataforma, um bom investimento, uma boa aposta. Há aqui alguma capacidade em termos de recursos humanos e realmente um grande interesse, um plano estratégico de ver Cabo Verde cada vez mais tecnológico”, afirmou Isabel dos Santos.

A empresária diz que o clima de negócios em Cabo Verde tem “evoluído de uma forma positiva” e assume que “hoje há um grande interesse” do país em “abrir mais a economia”.

“O Estado está a dar passos para se retirar da economia, está a fazer um grande programa de privatizações, por outro lado, é verdade que Cabo Verde é um país estável, é um país que tem paz, que tem uma boa governação, portanto, é um país, deste ponto de vista, interessante para os investidores estarem presentes e investir”, enfatizou.

Ainda assim, a empresária, considerada pela BBC como uma das 100 mulheres mais influentes no mundo, recorda que há ainda “muito a fazer” em Cabo Verde, desde logo a necessidade de “definir um plano a 10/15 anos” para projetar o desenvolvimento do país, mas que seja “sobretudo inclusivo”, envolvendo o setor privado.

“Uma das grandes questões sobre Cabo Verde é como assegurar a rentabilidade, ou seja para as empresas poderem ser rentáveis de forma a poderem ter capacidade de investimento, principalmente investimentos nas áreas como as tecnologias, por exemplo o 5G, que é um investimento extremamente caro (…) Tem que haver um cenário de negócio que forneça dinheiro suficiente, capacidade financeira suficiente para as empresas poderem investir”, apontou.

Com um plano a médio prazo e mantendo a aposta no turismo e noutras áreas estratégicas do país, Isabel dos Santos garante que Cabo Verde tem condições para no prazo de 10 anos estar nas 50 melhores economias do “Doing Business”, o 'ranking' do Banco Mundial sobre a facilidade de fazer negócios, em que atualmente ocupa a 131.ª posição.

“Não são coisas difíceis de conseguir, acho que já há grandes passos que foram dados pelo Governo, desde a vontade de digitalizar a governação, o governo eletrónico, introduzir uma série de melhorias tecnológicas. Ou seja, há esta vontade e acredito que isto podia mudar muito e influenciar Cabo verde no futuro breve”, concluiu.

Na sua rede favorita

Siga-nos na sua rede favorita.