Em janeiro deste ano, o futebolista argentino Leandro Paredes foi transferido do Zenit de São Petersburgo para o Paris Saint-Germain (PSG), num negócio de cerca de 40 milhões de euros. De acordo com as regras do mecanismo de solidariedade da FIFA, o Boca Juniors, clube argentino que formou o jogador, teria direito a receber uma percentagem da venda no valor de 3,5%, que correspondem a aproximadamente 1,4 milhões de euros. PSG e Boca Juniors concordaram em dividir o pagamento em três fases, tendo a primeira ficado agendada para dia 6 de março. No entanto, o Boca Juniors nunca chegou a receber o pagamento de quase 520 mil euros que o clube francês confirmou ter enviado.

Foi então aberta uma investigação às trocas de correspondência e aos documentos enviados pelo clube francês, como prova de que o pagamento tinha sido realizado. Num dos documentos que confirmava a transferência foram descobertos e-mails, supostamente enviados pelo Boca Juniors, que apresentavam pequenas modificações quase impercetíveis. Segundo um jornal argentino que teve acesso aos documentos do caso, uma única letra diferenciava o endereço de e-mail fraudulento do legítimo. Desta forma, as instruções provenientes destes endereços fictícios continham dados falsos.

Depois de analisar os documentos, o clube argentino descobriu que o dinheiro tinha inicialmente passado por uma conta bancária de Nova Iorque, que pertencia à empresa mexicana Vector Casa de Bolsa. De seguida, foi enviado para uma conta bancária no México, de uma outra empresa com o nome OM - Soluções de TI, SA.

Na sequência do ciberataque, o Boca Juniors apresentou queixa na justiça argentina. De acordo com as últimas revelações, o hacker poderá ter tido acesso ao e-mail de um colaborador dos clubes, obtendo dessa forma todas as informações necessárias para aplicar os métodos de engenharia social de forma eficaz. Até ao momento ainda não é conhecido o autor do golpe, pelo que as buscas continuam a decorrer.

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