Quando for construído o primeiro computador quântico, este será bem mais poderoso que as máquinas atuais. É tão rápido que poderá quebrar facilmente as encriptações que protegem a informação digital, colocando em perigo dados nacionais guardados em bases de dados ou intervir no e-commerce. Para que o avanço tecnológico não seja mais prejudicial do que benéfico, a corrida ao espaço quântico faz-se em diferentes frentes, e para além do hardware, estuda-se as respetivas medidas de segurança.

The New York Times debruçou-se sobre o assunto e salienta que a China tem uma vantagem sobre a encriptação quântica, pois o governo tornou a sua investigação uma prioridade. Ainda não havendo garantia se será possível construir uma rede quântica com encriptação viável, ao acontecer será a China muito provavelmente a experimentar e a colocar os seus recursos para o seu desenvolvimento.

Segundo o jornal, a China já investiu dezenas de milhões de dólares a construir redes capazes de transmitir dados utilizando encriptação quântica. Já foi feito, inclusivamente, uma chamada de vídeo entre Beijing e Viena, através do satélite chinês Micius, protegido por encriptação quântica, estabelecendo um recorde de distância da rede de 7.450 quilómetros. Mas pelo solo e através das atuais fibras óticas, a distância é de apenas 240 quilómetros. Mas já terão sido construídos quase 2.000 quilómetros de rede terrestre e o governo continua a investir milhões para espalhar a fibra ótica por diversas cidades e regiões do país. O objetivo, segundo a publicação, é a China ter, em 2030, uma rede para partilhar chaves de encriptação quântica por todo o planeta.

O jornal americano faz um contraste com a investigação produzida pelos Estados Unidos, salientando que até aqui, tanto o governo como a indústria apenas viram a encriptação quântica como um mero experimento científico. Os investigadores utilizavam cálculos matemáticos para construir formas de encriptação sem a necessidade de nova infraestrutura. Mas agora, “espicaçados” pelo avanço da China, parecem ter acordado para o real estado tecnológico e preparam-se para “correr atrás do prejuízo”.

Nesse sentido, algumas startups têm-se focado na segurança das suas redes, e embora estejam atrás dos milhões já gastos pela China, muitos especialistas acreditam que o trabalho mais importante é desenvolvido nos laboratórios. Os investigadores contam ainda com o apoio do Departamento de Energia para financiar a rede de testes em Chicago que, segundo é referido, consegue eclipsar qualquer sistema desenvolvido pela China. A Universidade de Chicago está a tentar dar um passo mais à frente, explorando os chamados “repetidores quânticos”, que são dispositivos para estender o alcance da encriptação quântica.

Para já, as técnicas de comunicação quântica requerem vastas redes de fibra ótica, suportadas por satélites, mas também dispositivos especializados e capazes de detetar fotões individuais de luz. Tecnologia, que ao que parece, ainda é muito escassa.