O mais recente relatório do Edelman Trust Barometer, disponibilizado em Portugal pela EDC, revela que, em tempos de pandemia, há um crescente sentimento de desigualdade a minar a confiança nas instituições. As consequências da pandemia de COVID-19 estão a ter um impacto nos níveis de confiança e na relação entre as organizações e os seus colaboradores.

O estudo dá a conhecer, que, embora a tecnologia continue a ser o setor com o mais elevado nível de confiança, situando-se na ordem dos 75%, foi o que acusou a maior queda global, em especial, em países como França, Canadá, Itália, Singapura, Rússia e Estados Unidos. Para perceber como se traduz a questão da confiança em tempos de pandemia no mundo das empresas tecnológicas, o SAPO TEK falou com Frederico Rocha, partner da EDC, e com Alexandre Silveira, Marketing Manager da HP.

Ao SAPO TEK, Frederico Rocha indicou que, face à pandemia, há comportamentos diferentes nas duas segmentações do mercado das Tecnologias de Informação. “O B2C (Business to Consumer) está a retrair-se momentaneamente de gastos face ao medo do desconhecido e do que poderá estar ainda por vir. O B2B (Business to Bussiness) por outro lado terá de continuar a seguir”.

Frederico Rocha afirmou que, embora as empresas sejam agora mais cuidadosas no que toca a gastos, não quer dizer que não estejam a investir. Terá de haver uma mudança a nível de investimentos para acomodar, por exemplo, a nova realidade do trabalho remoto de forma a assegurar a produtividade. O partner da EDC elucidou ainda que a pandemia “veio desmistificar o conceito work from home”, afirmando que, no regresso à normalidade, as empresas vão encarar trabalho remoto de forma diferente.

Já Alexandre Silveira, Marketing Manager da HP, indicou ao SAPO TEK que os resultados do relatório do Edelman Trust Barometer não vêm pôr em causa a confiança dos consumidores da área da tecnologia, nem das empresas. “Tradicionalmente, o comportamento do consumidor quando adquire tecnologia passa por recorrer a um especialista na área, seja o vendedor da loja, o amigo entusiasta, o blog de tecnologia ou o unboxing no YouTube”, revelou Alexandre Silveira.

À semelhança de Frederico Rocha, o Marketing Manager da HP indicou que as marcas de tecnologia não são uma exceção à regra e vão sentir o impacto da evolução da economia face à pandemia de COVID-19. Apesar de existir uma procura elevada em determinadas categorias da área das tecnologia para dar resposta à necessidade dos consumidores de encontrarem soluções para o trabalho ou escola em casa, Alexandre Silveira explicou que, a médio prazo, “o comportamento da economia irá impactar as empresas e condicionar os seus negócios e investimentos em comunicação”.

O que reservará o futuro pós-pandemia?

Embora considere que ainda seja cedo para antecipar as tendências que surgirão após a pandemia, o Marketing Manager da HP destacou as novas competências de mobilidade e colaboração remota rapidamente adquiridas por trabalhadores e estudantes. “Esta geração vai encurtar em muitos anos a visão de uma sociedade mais móvel, colaborativa, flexível e mais à vontade com a tecnologia e isso vai condicionar no bom sentido a forma como as pessoas se vão relacionar e consumir a tecnologia”.

Para Frederico Rocha, a crescente aposta no digital será uma das tendências que marcará o futuro pós-pandemia. O Partner da EDC afirmou que as empresas que se viram forçadas, por exemplo, a “migrar” para o novo território das vendas online vão intensificar os seus investimentos no e-commerce. Além disso, a nível empresarial, a aposta no digital poderá intensificar-se sectores em como o da cibersegurança, do hosting e das comunicações entre empresas.

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