O fundador da WikiLeaks, preso no Reino Unido por crimes sexuais cometidos na Suécia, foi isolado dos outros prisioneiros "para sua própria segurança". Segundo os seus advogados, Julian Assange vai agora ter acesso a um computador - as autoridades não autorizaram que tivesse um portátil - com ligação limitada à Internet. A audiência em que será avaliado o pedido de extradição está marcada para terça-feira.

Os advogados visitaram Assange na quinta-feira, dizendo que o seu cliente parecia estar a "lidar bem" com a situação, de acordo com o Guardian. O fundador da WikiLeaks vestia um fato de prisioneiro cinzento, tendo-se queixado da programação televisiva. "Ele não tem acesso a um computador, mesmo sem acesso à Internet, ou a qualquer material para escrever", afirmou Mark Stephens, indicando que tal vai mudar em breve, depois de terem alegado o seu direito de "acesso à justiça".

Assange é acusado de violação e assédio sexual de duas mulheres suecas, tendo sido preso ao abrigo de um mandado de detenção internacional emitido pela Suécia. Contudo, segundo os seus advogados, os EUA devem em breve acusá-lo também de espionagem, ao abrigo de uma lei de 1917, pela divulgação de documentos secretos norte-americanos. A sua advogada, Jennifer Robinson, acredita contudo que Washington estará a avaliar outras acusações, relacionadas com a parte informática. Isto porque sendo a WikiLeaks um meio de publicação da informação, Assange pode alegar protecção da primeira emenda da Constituição - que defende a liberdade de expressão e de imprensa.

Quando tiver acesso à Net, Assange poderá aceder ao projecto de dois dos seus ex-funcionários. O antigo porta-voz da WikiLeaks, o alemão Daniel Domscheit-Berg, e o islandês Herbert Snorasson vão lançar na segunda-feira um site concorrente. "O OpeanLeaks é um projecto tecnológico que tem como objectivo fornecer serviços a terceiros que queiram receber informações de fontes anónimas", afirmou Domscheit-Berg à televisão sueca SVT. Os conteúdos não vão estar directamente online, sendo passados aos órgãos de informação que sejam parceiros.

Fonte: Diário de Notícias

Por outro lado, poderá ver como piratas informáticos têm multiplicado ataques contra empresas acusadas de privar a WikiLeaks do acesso a meios financeiros, como a Mastercard, a Visa ou a PayPal. Ontem, foi a vez de serem atacados os sites da procuradoria-geral e da polícia holandesas. Uma represália à detenção, na véspera, em Haia, de um alegado pirata do grupo Anonymous, de 16 anos, que ficou em prisão preventiva.

No México, o Clube de Jornalistas homenageou Assange, descerrando uma placa dedicada ao fundador da WikiLeaks. Os responsáveis destacam a sua "contribuição para a consciência da humanidade ao provar aquilo que muitos de nós já sabíamos", segundo a AFP.

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