Por meio da observação do fluxo de moléculas de hidroxila (OH), que revelam a presença de gás incubador de estrelas nas galáxias, os investigadores revelaram como algumas galáxias do Universo primitivo inibem um frenesim de nascimento estelar, indica o Atacama Large Millimeter/submillimeter Array (ALMA), em comunicado.

Segundo os autores do estudo, publicado na revista Science, para evitar consumir-se rapidamente numa escalada espectacular, algumas galáxias põem freios ao processo de formação estelar ejectando, pelo menos temporariamente, grandes quantidades de gás em direcção aos seus halos em expansão, onde o gás se dispersa completamente ou volta a fluir lentamente para a galáxia para voltar a alimentar novos surtos de formação estelar.

Até agora, os astrónomos tinham sido incapazes de observar directamente estes jactos intensos no início do Universo primitivo, em que estes mecanismos são fundamentais para evitar que as galáxias cresçam rápido demais e em excesso.

"As galáxias são monstros complicados e caóticos, e acreditamos que estes jactos e ventos são elementos fundamentais nos seus processos de formação e evolução que regulam sua capacidade de crescer", afirma Justin Spilker, astrónomo da Universidade do Texas e autor principal do artigo publicado na Science.

Para os astrónomos, "esta descoberta fornece informação nova sobre como algumas galáxias do Universo primitivo auto-regularam o seu crescimento para continuar a fabricar estrelas posteriormente".

Os astrónomos observaram ventos com o mesmo tamanho, velocidade e massa em galáxias próximas com surtos de formação estelar, mas o jacto observado com a ajuda do ALMA é o mais distante já observado até hoje com tamanha clareza no Universo primitivo.

A galáxia, conhecida como SPT2319-55, está a mais de 12 mil milhões de anos-luz da Terra e foi descoberta pelo Telescópio do Polo Sul, da Fundação Nacional de Ciências dos Estados Unidos.

Foi possível detalhar inclusive que o forte "vento" de gás incubador de estrelas sai da galáxia a quase 800 quilómetros por segundo. "Não se trata de uma brisa suave e constante, mas de erupções isoladas que expulsam gás à mesma velocidade com que este se transformaria em novas estrelas", detalham os autores.

O ALMA, o radiotelescópio situado a 5.000 metros de altura em pleno deserto do Atacama, o mais seco do mundo, pode observar um objecto tão distante graças à lente gravitacional provocada por outra galáxia situada quase em pleno eixo de visão entre a Terra e a SPT2319-55.

A partir de agora, também é possível "determinar a velocidade do vento e ter uma ideia aproximada da quantidade de material contido no jacto", explica Spilker.

Segundo os cientistas, os ventos moleculares são um mecanismo eficiente que as galáxias têm para auto-regular o seu crescimento.

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