Passamos décadas a cantar "te quiero", "canta comigo esta keta" e “amar sem ser amado”. A música dos SSP acompanhou a vida de muitos angolanos e agora é altura de a banda festejar 20 anos repletos de sucessos e desafios. Quando eles se preparam para nos fazer cantar mais uma vez, fizemos uma revisão da sua longa carreira.

Para muitos, 20 anos passam depressa, muita coisa acontece entretanto. Olhando para trás, vale a pena recordar o que aconteceu em 1991. É impossível esquecer o ano em que chegamos a paz, em que morreu Freddy Mercury (o vocalista dos Queen), em que Madonna lança o documentário “Na cama com Madonna” e Michael Jackson faz o seu primeiro disco sem a produção de Quincy Jones, “Dangerou”.  Foi também neste ano que, no mercado angolano, nasce o grupo de hip-hop South Side Posse, formado por Big Nelo, Paul G., Jeff Brown e Kudy.

No início faziam principalmente actuações ao vivo em escolas e comunidades. Foram dos primeiros grupos do género em Angola e utilizavam a música e a dança para fazerem a ponte entre a cultura africana e a ocidental.

Em 1996 lançam o seu primeiro disco, “99% de Amor”. Este álbum, de som original, é caracterizado pela fusão de ritmos que os SSP souberam trazer à música angolana, começava aqui a história discográfica do rap em Angola. O disco abriu muitas portas e mudou algumas mentalidades que julgavam que o hip-hop era música de marginais e de toxicodependentes. “99% de Amor” venceu o prémio de Melhor Álbum e Melhor Grupo de hip-hop angolano em 1996.

Em 1998 os SSP solidificaram a sua posição no mercado nacional com o lançamento do álbum Odisseia. Este disco permitiu que os músicos fizessem uma digressão internacional, passando por países como África do Sul, Cabo Verde, Moçambique, Portugal e Inglaterra. “Odisseia” venceu os prémios de Melhor Álbum e Melhor Grupo de hip-hop/rap angolano em 1998, Melhor Álbum e Melhor Grupo de hip-hop/rap em Moçambique, Melhor Álbum e melhor grupo de hip-hop/rap Lusófono de 2000.

Seguiu-se “Alfa”, o terceiro disco, lançado no ano 2000 e que conta com várias participações especiais como: TC, BOSS AC, GUTTO, AFRICAN VOICES. Os músicos gravaram uma nova versão da música “Sempre que o amor me quiser” que serve como homenagem dos SSP e da Lena d’Água a Ramiro Martins, produtor do álbum “99% Amor”, que faleceu durante a gravação do disco “Odisseia”. Na apresentação de “Alfa” os SSP tornaram-se no primeiro grupo a esgotar o pavilhão da cidadela. Seguiu-se uma tournée de sucesso que passou por Portugal, Macau, Moçambique, Cabo Verde, S. Tomé e Príncipe, Inglaterra e Brasil. Com este álbum os artistas venceram o prémio de Melhor Álbum e melhor grupo de hip-hop/rap de 2000, entre outros.

O último disco do grupo foi lançado em 2003, desta vez com apenas Big Nelo e Jeff Brown no alinhamento. O álbum foi gravado no Brasil e em Portugal e conta com a participação de artistas conceituados como o brasileiro Djavan, Max Viana e TC. Na produção do disco foram usados dois samples do músico Teta Lando. “Amor e Ódio” é considerado por muitos como o melhor álbum do grupo, tanto pelo crescimento musical como pela qualidade da produção do disco.

Ao longo da sua carreira, os SSP assumiram igualmente um papel de intervenção social, dando a cara e prestígio a acções de sensibilização e causas, como por exemplo a campanha anti-minas de 1995, o projecto da APV-Acção pela vida a divulgação do preservativo LEGAL, um projecto da PSI em 2001. Produziram ainda com o grupo O2 (PURO STYLE), um CD intitulado LIFE, no sentido de mais uma vez, fazer ver a juventude e não só, os perigos do SIDA.

 Percursores, os SSP têm tido um papel muito importante na música do nosso país, abriram portas para outros artistas e mudaram mentalidades para que outros estilos musicais tivessem sucesso. Para a história ficam “hits” como: "olhos café", "te quiero", "canta comigo esta keta", "Sim ou não", "os reis da noite", "Deus", "Amiga", " Não vale apena", " chama por mim", "Dime porque (tu te vás)" e " Amar sem ser amado".

No próximo sábado, dia 3, os SSP comemoram duas décadas com um concerto no estádio dos coqueiros,  iremos recordar todas estas músicas e muitas mais. Há quem diga que será o último concerto que Big Nelo, Paul G., Jeff Brown e Kudy vão dar como SSP, mas se dependesse dos inúmeros fãs dos músicos eles dariam muitos mais. Por certo que continuaremos a receber muita boa música dos quatro nos seus projectos a solo.

Veja a entrevista com o Big Nelo

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