O grupo pertencia ao antigo vice-presidente Manuel Vicente e aos generais Leopoldino Fragoso do Nascimento “Dino” e Manuel Hélder Vieira Dias Júnior “Kopelipa”, todos homens próximos do antigo Presidente José Eduardo dos Santos.

A decisão inscreve-se no chamado processo de recuperação de capitais públicos desviados durante o regime de José Eduardo dos Santos.

Com o futuro daqueles órgãos de comunicação indefinido, o Sindicato dos Jornalistas Angolanos (SJA) teme que a passagem do grupo Media Nova para tutela do Estado possa alterar a sua linha editorial.

“O Sindicato espera que não se mexa na linha editorial nem haja interferências dos novos donos, ainda que seja o Estado, tal não deve servir para que esses órgãos fujam do que estabelece a lei quanto ao exercício do jornalismo”, alerta o secretário-geral do SJA, Teixeira Cândido, quem reitera que a lei é clara e recomenda “que os jornalistas sejam isentos imparciais e plurais”.

Para o jornalista Ilídio Manuel, o fato desses órgãos terem passado à tutela do Estado é apenas um regresso à fase inicial.

“Isto pra mim significa que os órgãos desse conglomerado voltaram ao seu dono porque foi  um projeto criado à sombra do regime, no sentido de passar uma ideia de uma certa abertura e democratização do regime, de criar uma certa alternativa à TPA, por isso é apenas um regresso à casa, mas do ponto de vista editorial creio que vão alinhar com as políticas governamentais”, afirma Manuel.

O antigo jornalista e atual deputado pela CASA-CE, Makuta Nkondo, pensa que não vai haver alteração da linha editorial porque “os que integram a coordenação de gestão da TV Zimbo são bem conhecidos, são activistas do MPLA”.

“Tudo isto reflete já a preparação de mais uma fraude eleitoral”, conclui.

Desde a passada quinta-feira, a TV Zimbo, umas empresas do grupo, tem à frente uma comissão coordenada pelo antigo administrador para conteúdos Paulo Julião.

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