Quarta-feira, o suspeito do presumível crime, de 32 anos, conduziu os peritos em criminologia e medicina legal do SIC a um matagal próximo da povoação da Hanha do Norte, onde o corpo de Segunda Albano Sapalo, de 23 anos, foi encontrado em avançado estado de decomposição, numa obra abandonada, 36 dias depois.

O pedreiro Segunda Albano Sapalo morreu por traumatismo cranioencefálico parietal, devido a espancamento, e o seu corpo, amarrado, foi encarcerado depois dentro de um contentor de 40 pés durante sete horas, numa oficina no bairro Boa Vista, onde o suspeito trabalhava como mecânico.

Em declarações à imprensa, o porta-voz da Delegação Provincial do Ministério do Interior em Benguela, superintendente-chefe Pinto Caimbambo, disse que o principal suspeito do assassinato abriu uma queixa-crime contra a vítima numa esquadra policial da Zona Alta do Lobito e ainda contactou o pai da vítima, o que levantou suspeitas.

Na referida queixa, adiantou, o suspeito alegava ter sido roubado pela vítima e que estaria a ser acusado por familiares do malogrado de ocultar o seu desaparecimento há várias semanas.

Mas, frisou, após ouvir o pai do pedreiro desaparecido, desde Maio, a Polícia Nacional interrogou também o queixoso, por sinal vizinho da vítima, sendo que a sua versão sobre o espancamento apresentou fortes indícios que levaram a sua detenção preventiva.

Embora as diligências continuem, para identificar se o crime foi consumado com o envolvimento de outras pessoas, Pinto Caimbambo admite, para já, que o detido é suspeito de vários crimes que se interligam, nomeadamente ofensas corporais graves, homicídio voluntário qualificado, ocultação e profanação de cadáver,

Confundido com ladrão

Visivelmente abalado, Sapalo Joaquim Chinguengue, pai do malogrado, por sinal, seu primogénito, conta que o mecânico pagou 25 mil kwanzas a um grupo de 15 pessoas no bairro Boa Vista, que o ajudaram a espancar o filho e encarcerar o corpo ensanguentado num contentor fechado até à morte.

O cidadão pede que se faça justiça, mas ao mesmo tempo lembra que o seu filho estava no lugar e hora erradas, por ter sido encontrado na companhia de um suposto ladrão, que depois foi mandado embora para o Bocoio, com 2.500 kwanzas no bolso, sob ameaças de morte, em caso de reaparecimento no bairro Boa Vista.

“Meu filho saiu de casa, apenas para cobrar um cidadão que dias antes tinha roubado berbequim, rebarbador, discos, folha de serra, lâmpadas, cabos eléctricos, interruptor e tomadas”, lamenta.

Soba-grande do Lobito apela harmonia

Apesar de comovido pelo crime hediondo, o soba-grande do município do Lobito (regedor), Afonso Sukumula, desencorajou a família da vítima a levar o caso ao tratamento tradicional, de modo a evitar consequências nefastas para as comunidades.

Daí ter o regedor pedido à mãe do jovem morto que retirasse imediatamente duas facas e uma agulha que a família havia introduzido na urna com os restos mortais, alegadamente por ser um ritual dos seus antepassados.

A Angop apurou que este crime, o segundo do género registado na província de Benguela depois de um caso semelhante em 2018, envolvendo um cidadão chinês, figura na lista das 312 ocorrências criminosas notificadas pelas autoridades policiais no mês de Maio.

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