Segundo o porta-voz do SIC na província de Benguela, Victorino Kotingo, o referido trigo, impróprio para o consumo humano, estava já a ser reembalado. Com efeito, foi desmantelada uma rede de cinco cidadãos suspeitos de praticar o crime de adulteração.

Ao falar aos jornalistas que se deslocaram ao armazém da padaria Cogeta, no bairro do Liro, aquele oficial do Serviço de Investigação Criminal disse que os cidadãos foram autuados e conduzidos ao Comando Municipal da Polícia Nacional do Lobito, designadamente duas senhoras, o dono do estabelecimento e dois motoristas, que respondem pelo crime de fraude comercial.

Victorino Kotingo apontou o dedo à apetência pelo lucro fácil como motivo do crime e contou como o grupo desembalava a farinha de trigo estragada de marca “Nisri” originalmente em sacos de 50 quilos e, após secagem e peneira, reembalava em outros sacos de 25 quilos das marcas “D’Angola”, “Girafa” e “Manty”, de maior concorrência no mercado formal e informal.

Alguns dos detidos são suspeitos de ligações com uma rede de falsificadores de rótulos de produtos, já neutralizada em Dezembro de 2018, num armazém clandestino localizado no antigo mercado do Bango Bango, zona Alta da cidade do Lobito, onde 75 toneladas de arroz expirado “Mama África,” estavam a ser colocadas em novas embalagens “Uncle Sam”.

Daí que o porta-voz do SIC encorajou a população a denunciar os malfeitores, pois foi a forma que levou a polícia a vistoriar o estabelecimento e encontrar 489 sacos de farinha estragada. Destes, 142 são de 50 kg e outros 347 são sacos de 25 kg, totalizando 15 mil e 775 quilos, o equivalente a 15 toneladas e meia.

Mais importante ainda, disse, a intervenção policial evitou que os produtos expirados fossem parar à mesa do consumidor, se comercializados, como pretendiam fazer os elementos, agora a contas com a Justiça.

Garantindo a continuidade das investigações para saber de que província do país terá saído o produto expirado, o responsável admite, todavia, que a quantidade total adquirida pela rede de malfeitores pode vir a ultrapassar a que foi apreendida (489 sacos) pelas autoridades policiais.

Face ao perigo à saúde pública, Victorino Kotingo adianta que os implicados serão presentes ao Ministério Público para a tomada de medidas de coação e que os produtos deverão ser incinerados, evitando assim o seu consumo por parte da população.

Alerta

Embora o porta-voz do SIC tenha descartado, para já, a possibilidade desta farinha ter sido utilizada para o fabrico de pão na padaria Cogeta, certo é que alguns populares ouvidos pelos jornalistas não esconderam a preocupação e até admitiram que ultimamente tinham visto bichos no pão adquirido no mesmo local e que o sabor era estranho.

Meio surpreendida, Júlia Paulo, moradora do bairro do Liro, contou que, nos últimos meses, o pão cheirava mal e nele havia pequenos bichos próprios da farinha estragada, mas sequer imaginava que seria consequência de produto fora da data de validade.

A dona de casa Rosária Domingos, do bairro da Cavipa, lembrou que os problemas com o pão da padaria Cogeta começaram logo a após a sua inauguração, em Maio deste ano. “O pão estava a sair com bichos e ficávamos a reclamar”, salienta. E acrescenta ter presenciado o momento em que alguns sacos de farinha foram deitados na vala do Liro.

Segundo ela, havia movimentação estranha de uma carrinha carregada de farinha que entrava quase sempre no fim do dia e depois as pessoas ficavam no interior do armazém até às duas da manhã.

“No dia seguinte, outra carrinha vinha buscar a farinha mas do outro lado”, reforçou, para quem essa movimentação levantou suspeitas e os moradores decidiram avisar as autoridades para punir os responsáveis e coibir esta prática.

Alimentos fora do prazo de validade podem gerar intoxicação alimentar e até outros problemas de saúde. Razão pela qual o INADEC (Instituto Nacional de Defesa do Consumidor) alerta os consumidores angolanos a estarem atentos à validade dos produtos e ao estado em que se encontram as embalagens.

Na sua rede favorita

Siga-nos na sua rede favorita.