O músico Youssour N' Dour viu a sua candidatura às próximas eleições presidenciais no Senegal, no próximo mês de Fevereiro, rejeitada pelo tribunal, que alegou que parte (4000) das 12 mil assinaturas apresentadas ´não podiam ser verificadas'.

A rejeição da candidatura de 'N Dour - um dos maiores críticos de Wade -, e a decisão do tribunal em aceitar que o actual Presidente concorra a um terceiro mandato deu início a uma onda de violência, pela noite fora, na passada sexta-feira, em várias cidades do país.

De acordo com a imprensa local, os motins na capital senegalesa levaram ao corte de ruas e estradas com pneus a arder e a confrontos com a polícia, em vários bairros de Dacar. Um agente da polícia acabou mesmo por morrer e um jornalista ficou ferido quando as forças da ordem tentavam dispersar a multidão.

Em Kaolack, capital provincial, a multidão incendiou a sede do partido do governo, e em Thiès, um grupo de jovens cortou o acesso à auto-estrada, segundo noticiou uma rádio local.

Apesar de ter cumprido dois mandatos, com a alteração da Constituição do país, o actual presidente Wade, de 85 anos, poderá recandidatar-se de novo, o que enfureceu a oposição.

De acordo com a CNN, sete individualidades da oposição recorreram da decisão judicial, argumentando que a Constituição não permite que um Presidente cumpra mais do que mais do que dois mandatos. Abdoulaye Wade iniciou o primeiro mandato de sete anos em 2000.

A actual constituição senegalesa entrou em vigor em 2001. Assim, segundo o tribunal, apenas a eleição de Wade em 2007 conta para efeitos do limite de tempo, permitindo que, constitucionalmente, o actual Presidente possa concorrer a um novo mandato.

Em Junho passado, a proposta de Wade de alteração da Constituição para que a percentagem de votos - de 50% para 25% - exigida para que um candidato pudesse vencer logo à primeira volta, levou a fortes protestos nas ruas de Dacar.

Youssou N' Dour tem sido uma das vozes mais críticas da actual situação política do país, denunciando alegadas tendências autoritárias do presidente Wade. Para além de compor canções de protesto, Youssoou N' Dour tem usado o seu grupo de comunicação social como porta-voz da oposição.

"O facto de a minha candidatura ter sido classificada de inaceitável é um assunto político", disse o cantor, em declarações à agência de notícias AP. "Os que estão no poder temem-me", afirmou N' Dour, adiantando que irá recorrer da decisão do tribunal.

Por seu lado, Abdoulaye Wade, antigo advogado, desvalorizou as críticas, declarando ao site Dacaractu.com: "A Constituição, fui eu quem a escreveu. Ninguém a conhece melhor do que eu."

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