Jovens, um pouco por todo o país, não têm medido esforços na tentativa de livrar Angola da Covid-19 com ideias inovadoras como lavatórios móveis e máscaras laváveis.

Entre estes gestos que não têm deixado ninguém indiferente, está um grupo que se dedica à produção de sabão de uma forma económica para doar às famílias mais necessitadas durante a fase em que o novo Coronavírus ainda é uma ameaça.

Numa breve entrevista, o SAPO conversou com Yonara Kimura, a porta-voz da “AmbiReciclo”, uma empresa que está há quatro anos no mercado e que parou a produção lucrativa para abraçar voluntariamente este projeto que visa evitar a contaminação e propagação do covid-19 em Luanda.

O processo de produção, que é feito por apenas três jovens, tem servido de grande ajuda para famílias que enfrentam dificuldades em manter a imperativa higienização nesta fase.

Yonara Kimura respondeu a algumas questões relacionadas ao trabalho que, com as suas colegas, tem desenvolvido em prol da solidariedade.

SAPO: Quando é que decidiram dar vida a esta acção solidária?

 Yonara Kimura: A produção do sabão a partir doe óleo de cozinha já é uma actividade da AmbiReciclo há 4 anos. Uma vez que o preço do sabão infelizmente subiu drasticamente devido à pandemia do novo coronavírus e, nós sabendo que uma das recomendações para a prevenção do mesmo é a lavagem frequente das mãos, notamos que tem sido difícil para as famílias mais carenciadas obterem este produto ao preço actual. Por este motivo, a Startup AmbiReciclo decidiu então parar temporariamente com a produção lucrativa do sabão e dedicar-se à produção voluntária do sabão.

SAPO: A partir de que ponto de Luanda é feita esta produção? Quantos jovens estão envolvidos na iniciativa?

 Yonara Kimura: O sabão está a ser produzido no Município de Belas. Na produção das barras de sabão estão envolvidas apenas três pessoas como forma de evitarmos grandes aglomerações, que é uma recomendação da OMS e do Governo para evitar a propagação do vírus.

SAPO: Como é que têm acesso à matéria-prima? Gostavam que a população ou as autoridades contribuíssem de alguma forma?

Yonara Kimura: Para a produção voluntária do sabão foi aberta uma campanha para angariação de fundos. Desde que a campanha foi lançada temos recebido donativos como o óleo de cozinha usado e valores monetários que são usados para adquirir os produtos que precisamos como a soda cáustica. Quanto à contribuição para conseguimos manter a produção, estamos abertos a mais donativos, quer seja de óleos residuais de cozinha, soda cáustica ou água potável. Quem também tiver a possibilidade de disponibilizar valores monetários será uma grande mais-valia. Precisamos manter a produção até o fim da pandemia da Covid-19.

SAPO: Têm tido muitas doações dos produtos necessários para a produção do sabão ou têm pedido de casa em casa?

Yonara Kimura: Muitas famílias trazem o óleo e outros produtos até nós e não só. Temos o apoio da startups Tupuca e Kubinga no processo de recolha dos bidons de óleo de cozinha usado. São eles que também nos ajudam na distribuição do sabão em vários pontos de Luanda visto que também são colaboradores da campanha. De realçar que temos outros colaboradores como a Química Verde Lab que garante a qualidade do sabão e a AMAA (Associação das Mulheres Ambientalistas Angolanas).

SAPO: Quantas famílias já puderam ajudar e como é que tem sido feito este processo de entrega aos mais desfavorecidos?

Yonara Kimura: Conseguimos alcançar uma produção de mil barras de sabão por dia. Portanto, até ao momento cerca de cinco mil famílias já foram beneficiadas com o nosso sabão em zonas como as Comunas do Tapa Buraco do Mussulo, Bairro 28 de Agosto no Kilamba Kiaxi e no Bairro Nandó.

Sabão e álcool em gel frutos da solidariedade produzidos com o intuito de salvar vidas

SAPO: Sabemos que estiveram a trabalhar também na produção de álcool em gel. Como correu a experiência?

Yonara Kimura: Está a ser uma óptima experiência. Notamos que os vendedores ambulantes e zungueiras encontram-se extremamente desprotegidos e o álcool em gel ajuda a manterem-se protegidos. Daí a darmos continuidade à produção de álcool em gel.

SAPO: Por fim, que mensagem deixariam a outros jovens que podem igualmente fazer a diferença e ajudar o próximo nesta fase difícil?

Yonara Kimura: Nesta fase difícil em que “um inimigo” arrasa o mundo e, infelizmente, também já chegou a Angola, aconselho que não pensem que a luta é apenas do governo mas sim de todos. Temos de pegar no que sabemos fazer para então ajudar a combater este “grande inimigo”, a Covid-19.

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