A confirmação é do vice-presidente da Associação dos Profissionais Imobiliários de Angola (APIMA), Cleber Corrêa, que apontou também a mudança do regime cambial (de fixo para flutuante), em Janeiro de 2018, e a falta de crédito a custo baixo nos bancos comerciais como factores que aceleraram a quase paralisação desse sector.

Em entrevista à Angop, indicou ainda o excesso de burocracia, a demora na emissão dos direitos de superfície e a falta de políticas habitacionais de grande impacto, dando autonomia aos empresários como outras dificuldades que o sector imobiliário enfrenta.

“Quando existe inflação alta, o sector que primeiro sofre é o imobiliário, porque com alta inflação os bancos precisam cobrar mais pelo dinheiro e isso não permite que o comprador tenha acesso ao crédito”, sublinhou.

Enumerou também a falta de acesso aos terrenos, cujas vendas são feitas pelas administrações municipais e as empresas acabam por comprar a posse do terreno na mão de terceiros, e a falta de apoio ao sector privado com projectos imobiliários como as barreiras do sector.

Segundo Cleber Corrêa, essas barreiras motivaram a paralisação de muitas empresas controladas pela APIMA, que regista perto de 70 empresas do sector imobiliário.

Sem avançar números de projectos urbanos inacabados ou parados, devido essas dificuldades, admitiu existir vários projectos estagnados no “tempo e no espaço”.

Soluções

Para Cleber Corrêa, a resolução desse problema passa pela bonificação dos juros por parte do Estado, para a compra de habitações e loteamentos sociais, dando assim capacidade financeira aos cidadãos.

Aponta também a diminuição da burocracia na emissão de títulos, licenças de obra e de loteamento, assim como a tributação de todos os terrenos na cidade e nas zonas de expansão urbana, para que o terreno não seja usado como moeda pelos investidores, como políticas que podem dinamizar esse sector.

“Assim ou eles pagam imposto e esse valor é revertido para infra-estruturas, ou largam os terrenos”, acrescentou.

Criação de um diploma legal que resolva os incumprimentos sem uso do tribunal, bem como a diminuição do imposto industrial de 30 para 10 por cento aos promotores imobiliários que fizerem projectos sociais são também outras medidas que devem ser adoptadas para solucionar os problemas do sector imobiliário em Angola.

“Em Angola, quando ocorre um incumprimento por parte do agente económico, os tribunais demoram entre 3 a 4 anos para extinguir a relação jurídica. Isso é prejuízo para o banco. Além disso, é uma operação de 20 a 30 anos, na qual os bancos precisam de ser financeiramente incentivados a entrarem no crédito imobiliário, facto que não acontece actualmente no país” sublinhou.

Centralidades sem capacidade para atender procura de casas

Apesar do surgimento de vários projectos habitacionais do Estado em todo país, as centralidades em Luanda ainda são insuficientes para atender a demanda do mercado imobiliário e em “nenhum interferem na redução de clientes do sector privado”, segundo Cleber Corrêa.

A título de exemplo, justificou, estima-se que Luanda possui sete milhões de habitantes e cada família possui sete integrantes, o que significa existir um milhão de famílias.

Dessa população, se por exemplo 20 por cento tiver a capacidade de comprar habitações, 200 mil famílias precisaria de casas, uma oferta que as centralidades em Luanda não possuem.

As centralidades em Luanda possuem apenas pelo menos 50 mil fogos construídos, mas actualmente a população cresce com maior velocidade, agravando cada vez mais a carência habitacional, afirmou.

De acordo com a fonte, o número de empresas imobiliárias controladas pela APIMA contribuiu para a construção de dezenas de condomínios, principalmente em Talatona (Luanda).

A Associação dos Profissionais Imobiliários de Angola (APIMA) foi criada em 11 de Abril de 2008, com objectivo de ajudar a instituir normas reguladoras do exercício da actividade profissional de mediação, promoção e gestão imobiliária, contribuindo na dignificação e credibilidade do sector imobiliário em Angola.

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