Philippe Mendes estudou história da arte e quer “fazer história” na história da arte. Em 2015, comprou um quadro da pintora portuguesa Josefa de Óbidos e doou-o ao Museu do Louvre. Em 2018 encontrou um quadro “inédito” de Eugène Delacroix, anterior ao célebre “Femmes d’Alger dans leur appartement” [“Mulheres de Argel Nos Seus Aposentos”] exposto também no Louvre. Entretanto, deparou-se com outra tela “perdida” do mesmo pintor romântico e com tanto valor histórico quanto as outras.

Quando a tela do Delacroix foi para Houston, sairam vários artigos nos jornais, nomeadamente um no New York Times. Uns franceses, em Paris, viram e vieram ter comigo há um mês. Disseram-me: ‘Temos um quadro na família que dizem que é do Delacroix. O que acha?“, conta o galerista sorrindo e imitando o ar céptico que teve na altura já que após a sua “descoberta” foram muitas as pessoas que o contactaram para verificarem se tinham quadros do “Delacroix” em casa…

Porém, desta vez, após ver a fotografia do quadro, Philippe Mendes não teve dúvidas e está em curso o trabalho de autentificação do quadro.

A nova descoberta surge na sequência da primeira. Em 2018, uma coleccionadora foi ver o galerista com uma tela que dizia ser parecida com o conhecido quadro exposto no Louvre “Les Femmes d’Alger”. Porém, mais do que um simples esboço do que viria a ser uma das obras-primas de Delacroix, a pintura que tinha em mãos era um quadro original, pintado entre 1833 e 1834, um retrato de uma mulher que mais tarde seria retomado na grande tela exposta no Louvre.

Não é propriamente um quadro preparatório para ‘Les Femmes d’Alger’ que está no Louvre mas é o retrato de uma mulher branca com a sua escrava ou dama de companhia. Portanto, é um retrato [de uma mulher] com formato vertical. O nosso quadro é o primeiro pensamento do Delacroix para ‘As Mulheres de Argel’ e, nesse aspecto, é muito importante porque o quadro que está no Louvre era até agora considerado o primeiro quadro orientalista dele. O nosso, sendo o primeiro, é o primeiro quadro orientalista [de Delacroix]. É disso que me orgulho mais: não foi só descobrir um quadro importante do Delacroix, mas também fazer história“, explicou.

A tela estava no apartamento de uma coleccionadora em Paris que, um dia, ao visitar uma retrospectiva do pintor romântico no Museu do Louvre pensou que tinha um quadro em casa que era parecido com um dos trabalhos mais conhecidos de Delacroix e que estava em destaque nessa exposição. O tal quadro tinha sido comprado pelo seu pai como pertencendo simplesmente à Escola Francesa do século XIX. Antes disso, o último rasto da tela – que pertencia à colecção do Conde de Mornay que acompanhou Delacroix na sua viagem ao norte de África - remonta a um leilão de 1850.

Entretanto, o galerista franco-português que em 2015 doou um quadro da pintora portuguesa Josefa de Óbidos ao Louvre, acredita que vai conseguir convencer este museu a abrir a primeira sala dedicada à pintura portuguesa até 2021, ano em que Portugal e França celebram uma temporada cultural conjunta.

Oiça a entrevista nesta edição de ARTES.

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