Na imprensa angolana, multiplicam-se os relatos sobre assassinato de mulheres protagonizados pelos seus parceiros. Em fevereiro deste ano, uma jornalista da Rádio Nacional de Angola foi espancada até à morte pelo marido. Em maio, uma bancária de nacionalidade cabo-verdiana foi alvejada mortalmente, também pelo esposo.

Mas foi em setembro que o número de assassinatos disparou: um jovem atropelou mortalmente a ex-namorada por não aceitar a reconciliação e um outro cidadão matou a namorada por esta se recusar a fazer um aborto fruto de um relacionamento de mais de três anos. Ainda em setembro, uma filha de um missionário foi assassinada pelo ex-namorado na província do Huambo. E estes são apenas os casos relatados pela imprensa.

Os motivos por detrás deste tipo de crimes são muitos. Em entrevista à DW África, Marlene Messele, socióloga angolana, fala de "casamentos precoces, cultura mal empregue, má interpretação da religião, problemas financeiros e falta de diálogo, principalmente, mau uso das redes sociais, opinião familiar para projeção de vida do casal, a inveja da projeção académica ou social de uma das partes, falta de amor, de paciência, infertilidade e a traição".

Por causa destes assassinatos, as mulheres angolanas voltaram a lançar nas redes sociais a campanha "Parem de nos matar". Este é já o segundo movimento em menos de um ano que visa repudiar e chamar a atenção das autoridades e da sociedade para o fenómeno.

Punição severa

Marcelana Gilda, do Projecto AGIR, uma iniciativa comunitária que debate sem tabus várias questões sociais, políticas e económicas, diz que a falta de punição severa aos implicados contribui para o aumento destes casos. "Quando um homem mata uma mulher tem que ser punido, mesmo para que dê exemplo aos outros que ficaram. Porque se um homem mata e não é castigado severamente, os outros vão fazer o mesmo. Estamos numa sociedade onde, praticamente não existe proteção para as mulheres", diz.

Segundo a socióloga Marlene Messele, para a redução do número deste tipo de "crimes bárbaros, é necessário a máxima intervenção dos agentes de socialização: a escola, a família, a igreja, e os meios de comunicação social".

Marcha a 26 de outubro

Para além da campanha de repúdio, as mulheres convocaram uma marcha para o próximo dia 26 deste mês, à semelhança do que já aconteceu em dezembro do ano passado, quando mais de 500 mulheres marcharam na capital angolana.

Marcelina Gilda, uma das organizadoras desta marcha, explica à DW África que o protesto pretende "chamar a atenção porque não está certo que os homens matem as mulheres. Eles não fazem praticamente nada".

por:content_author: Manuel Luamba (Luanda)

 

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