Milhares de manifestantes estão hoje nas ruas de Berlim em protesto contra as restrições impostas pela pandemia de Covid-19 e apesar do aumento de novas infeções, tendo sido convocados por diversas organizações, incluindo de extrema-direita.

A marcha começou nas proximidades do emblemático Portão de Brandenburgo e dirige-se à Coluna da Vitória, estando agendada uma grande reunião para esta tarde com o objetivo de celebrar "o fim da pandemia".

Entre os manifestantes, contam-se pequenos comerciantes descontentes com as restrições à vida pública e grupos de pessoas que consideram as limitações como um ataque ao direito a ter liberdade de movimentos.

Na marcha são visíveis várias faixas que aludem a uma suposta "conspiração" orquestrada pela indústria farmacêutica e pelo bilionário norte-americano Bill Gates, 'slogans' anti vacinas e frases de extrema-direita exigindo o "fim de Angela Merkel".

O denominador comum dos vários movimentos presentes na manifestação é um apelo à resistência e à celebração do "Dia da Liberdade", uma frase que, segundo alguns organizadores, se refere ao título do filme sobre o congresso do partido nazi de 1935, dirigido por Leni Riefelstahl, o cineasta que preparava a propaganda de Adolf Hitler.

Punir os infratores

As autoridades de Berlim puseram nas ruas um forte dispositivo de segurança, já que, além desta mobilização, foram convocadas marchas de esquerda e são também esperadas festas "espontâneas", que acontecem na capital alemã há várias semanas, juntando, muitas vezes, milhares de participantes.

A polícia de Berlim anunciou, entretanto, no Twitter, que deu início a procedimentos legais contra os organizadores do protesto por desrespeitarem as regras de higiene contra o coronavírus.

O protesto teve lugar no mesmo dia em que o ministro da Economia alemão, Peter Altmaier, afirmou que quer medidas mais duras para quem violar as regras em vigor para travar a propagação da Covid-19: "Quem deliberadamente coloca em risco os outros tem de ter noção que isto terá sérias consequências".

O Governo federal da chanceler Angela Merkel e os estados regionais mostram-se muito preocupados com o aumento do número de novas infeções no país. Segundo dados do Instituto Robert Koch, foram registadas 955 novas infeções nas últimas 24 horas, o que representa um aumento substancial em relação à média de 800/850 da semana passada e ainda mais em relação à média de 300/350 contabilizada em meados de junho. No total, foram registadas 209.653 infeções e 9.148 mortes.

por: Agência Lusa, DPA

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