A este factor, os bispos angolanos, na nota intitulada “O que vimos e ouvimos”, acrescentava a “má gestão do dinheiro público e corrupção generalizada” no país.

Em declarações hoje divulgadas pela Fundação AIS (Ajuda à Igreja que Sofre), Estanislau Chindecasse considerou que “um dos pontos [da nota da Conferência Episcopal] era sobre a crise económica que já se vivia e que não era devida à baixa do preço do petróleo, mas era [o resultado de uma questão] ética, de uma crise moral, e também onde se denunciava justamente o nepotismo, a impunidade”.

Nessa nota, publicada em Março de 2016, os bispos angolanos responsabilizavam os responsáveis do poder em Luanda pelo aumento, “de forma dramática”, do índice de mortalidade devido ao “descuido da Saúde Pública e preventiva”, sublinhando as condições básicas de vida das populações que tinham de enfrentar a falta de “saneamento”, de “higiene pública e privada”, de distribuição de água potável e do “acumulo de lixo”, em especial nos meios urbanos.

“Não podíamos não falar”, disse o bispo do Dundo, para quem, o que os documentos revelados pelo consórcio internacional de jornalistas sobre alegados esquemas financeiros envolvendo, entre outros, a empresária Isabel dos Santos, filha do ex-Presidente angolano José Eduardo dos Santos, confirmam “aquilo que alguns pensavam que existia”.

“A situação é preocupante, para não dizer grave”, acrescentou o prelado, citado pela Fundação AIS.

Nas declarações hoje divulgadas, o bispo do Dundo alertou, também, para as necessidades da sua diocese, nomeadamente ao nível da formação de padres e admitiu a possibilidade de cooperação com dioceses portuguesas.

“Estávamos a pensar bater à porta de uma ou outra diocese em Portugal para ver se nos poderiam receber dois ou três candidatos para terem uma formação teológica e espiritual no contexto de uma igreja mais organizada e depois possam trazer essa experiência para a nossa diocese que é, efectivamente, bastante jovem”, disse o bispo.

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