A Polícia Nacional já emitiu uma nota de imprensa avisando “os promotores da manifestação e os cidadãos em geral para se absterem de tais práticas”, e assegura que vai empregar “toda a legitimidade para garantir que não haja perturbação da ordem” e "responsabilizar criminalmente os infratores".

O comunicado, assinado pelo comissário Orlando Bernado, adianta que a lei determina que as manifestações devem ser comunicadas previamente às autoridades e que tem de ser cumprida a distância recomendada dos órgãos de soberania (100 metros).

Relembra ainda que os cortejos e desfiles só podem realizar-se após as 19:00 nos dias úteis.

Para Geraldo Dala, um dos organizadores do protesto, as regras devem ser alteradas.

“A lei só é lei quando é justa. Não conseguimos perceber porque é que num país democrático temos de fazer manifestações de noite. Isto tem de ser alterado”, sublinhou, em declarações à Lusa.

Segundo o mesmo elemento da organização, vão reunir-se na terça-feira ativistas de várias organizações que integram o movimento nacional de luta contra o desemprego, que realizou uma outra manifestação em Luanda em 24 de agosto.

Geraldo Dala afirmou que “seria desejável se aparecesse o mesmo número que em agosto”, que estimou em 400 ou 500 jovens, mas admite que os angolanos “ainda têm medo de sair à rua, sobretudo quando envolve o Presidente da República”.

“Nós vamos à mesma, vamos para a rua, queremos ser ouvidos”, assegurou, considerando que o momento do discurso do chefe de Estado que está marcado para depois das 11:00 (a mesma hora em Lisboa) é o ideal para se fazerem ouvir por João Lourenço.

O ativista disse que já foi contactado pela polícia e explicou que não fizeram um aviso prévio às autoridades porque, em agosto, “disseram não ter recebido nenhum documento”.

“Entregámos pessoalmente no governo provincial”, adiantou o ativista, garantindo ter provas da entrega do documento.

Segundo o promotor da iniciativa, o protesto foi convocado para contestar as políticas públicas de empregabilidade para os jovens e exigir do Presidente angolano o cumprimento da promessa eleitoral de criar 500 mil empregos.

Geraldo Dala adiantou que querem entregar ao Governo um programa de empregabilidade.

Questionado sobre se já pediram uma audiência ao executivo, respondeu: “Nunca vão ouvir-nos. Só reúnem com jovens do MPLA [partido no poder em Angola], não reúnem com os jovens que estão comprometidos com causas sociais”.

O Presidente da República discursa na terça-feira na reunião plenária solene que marca o arranque do ano parlamentar, que se prolonga até 15 de agosto de 2020.

João Lourenço vai dirigir-se ao país num discurso sobre o Estado da Nação, logo após a abertura da 3.ª sessão legislativa da IV Legislatura, pelo presidente da Assembleia Nacional, Fernando Dias dos Santos, a partir das 11:00.

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