As províncias de Luanda e do Cuanza Norte continuarão sem actividades religiosas abertas ao público, por apresentarem altos riscos de contaminação, conforme o Governo.

Nas demais províncias, cada igreja deverá cumprir rigorosamente com as regras do Decreto Presidencial sobre a Situação de Calamidade Pública, em vigor desde 26 de Maio último.

Assim, devem demarcar os espaços, ter assentos colocados separadamente, à distância regulamentada, além de dispor de meios de higienização para a lavagem das mãos.

A menos de 24 horas da reabertura dos templos, muitas congregações afirmam ter condições mínimas para retomar as actividades. Mas, há quem prefira ponderar e melhorar as condições.

A Igreja Tocoista, por exemplo, diz que, apesar da "luz verde" do Governo para retomar os actos públicos de fé em 16 províncias, vai manter fechados os templos por mais algum tempo.

Conforme o líder espiritual da igreja, bispo Dom Afonso Nunes, os tocoistas vão esperar pela posterior declaração do Executivo sobre a autorização de cultos nas 18 províncias do país.

Enquanto isto, informa que vão aproveitar concluir a preparação das condições de biosseguranca, mantendo as transmissões dos cultos por via das várias plataformas tecnológicas disponíveis, como TV, rádio e redes sociais.

Dom Afonso Nunes apoia a decisão da comissão multisectorial de combate à Covid-19 em adiar a retoma de actividades religiosas em Luanda e no Cuanza Norte, onde foram detectados 100 por cento dos casos positivos.

"É uma medida acertada e prudente, devido ao aumento diário de novos casos de Covid-19 em  Luanda e na provincia do Cuanza norte", expressa o líder religioso tocoista.

Por sua vez, a Igreja Católica afirma ter as condições criadas para retomar os cultos a partir de 24 de Junho, como estipula o Governo.

Segundo o bispo Dom Filomeno Vieira Dias, presidente da Conferência Episcopal de Angola e São Tomé (Ceast), além do cumprimento das medidas, serão destacadas equipas de saúde em cada uma das actividades religiosas.

O regilioso afirma que os meios de higienização e o distanciamento social estão acautelados, sendo que cada paróquia está a adquirir, com meios próprios, medidores de temperatura.

Alinhando do mesmo pensamento está a Igreja Metodista Unida, que, conforme o reverendo João Jones, vai retomar os cultos, sem a presença de crianças.

A igreja fará dois cultos diários aos domingos (das 8h00 às 9h00 e das 11h00 às 12h00), reservando lugares especiais para os idosos, por constituírem grupos de risco.

Os líderes metodistas orientam aos fiéis impedidos de estar presentes nas igrejas a realizarem cultos familiares e usarem redes sociais, como Youtube e WhatsApp, onde são colocados sermões e mensagens de meditação.

O reverendo reconhece que algumas congregações suas não poderão reabrir já, por não possuírem condições de biossegurança.

"Estão a trabalhar  na criação das medidas de biossegurança, mas muitas enfrentam dificuldades financeiras, devido aos dois meses que ficaram fechadas", reforça o religioso.

CICA pede rigor

A propósito desse novo passo na caminhada das igrejas e do desconfinamento gradual da população, a secretária-geral do Conselho de Igrejas Cristãs em Angola, reverenda Deolinda Dorcas Tecas, pede rigor a todas as igrejas.

A religiosa exorta as lideranças eclesiásticas a tudo fazerem para no evitar que os templos sejam fontes de propagação da Covid-19.

Considera importante que as congregações  religiosas cumpram escrupulosamente as medidas de higienização orientadas pelas autoridades sanitárias, impondo o distanciamento físico, a lavagem das mãos com água e sabão, assim como o uso de máscaras e termômetros para medição da temperatura.

O  CICA  aconselha cada igreja a identificar o seu pessoal de saúde para auxiliar na organização, disciplina e ordem, e na disseminação da mensagem sobre as medidas sanitárias.

Segundo a reverenda, quem não tiver condições deverá manter fechadas às suas portas, para evitar colocar em causa a vida dos fiéis.

Conforme o Decreto Presidencial sobre a Situação de Calamidade, a partir de 24 de Junho, as igrejas reabrem, com limitação de até 50 por cento da capacidade dos locais de culto.

Sem poder exceder as 150 pessoas, as instituições religiosas podem celebrar actividades 4 dias por semana. Os restantes dias são para higienização dos locais de culto.

Devem higienizar as superfícies, mãos à entrada dos locais de culto, assegurar o uso obrigatório de máscara facial, distanciamento de, no mínimo, 2 metros entre fiéis, ventilação constante dos espaços de culto e higienização obrigatória após cada celebração.

O Executivo determina ainda a não utilização ou distribuição de folhetos ou documentos, durante os cultos, e a colocação dos recipientes para oferta em locais de fácil acesso, entre outras medidas de prevenção e segurança.

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