A época das chuvas e a pandemia da Covid-19, que leva o Presidente guineense, Umaro Sissoco Embaló, a decretar o sexto período do estado de emergência, parecem agravar a já débil situação doensino público na Guiné-Bissau. O Governo tenta salvar, parcialmente, o ano letivo 2019-2020, e 13 de julho será o dia do regresso às aulas, após vários meses de interrupção.

A data foi indicada esta quinta-feira (25.06) na reunião semanal do Conselho de Ministros, liderada por Nuno Gomes Nabiam, e faz parte de um plano de contingência para o setor educativo, que prevê que as aulas funcionem também aos sábados para recuperar os dias perdidos, durante os próximos dois meses.

Mas, de acordo com o que foi acordado na semana passada entre o Ministério da Educação e todos os intervenientes no setor, as aulas só serão retomadas nas escolas com condições para o efeito, mediante a aprovação de uma comissão técnica que fará a avaliação dos estabelecimentos do ensino que podem funcionar na época das chuvas. Há escolas sem condições, com água a cair nas salas de aula.

Por outro lado, também há dúvidas sobre se, em apenas dois meses, os professores conseguirão lecionar toda a matéria programada, depois da interrupção da Covid-19 e de sucessivas greves dos professores.

Prós e contras da decisão do Governo

O presidente da Confederação das Associações dos Alunos das Escolas Públicas e Privadas (CAAEPP), Alfa Umaro Só, está satisfeito com a indicação do Governo: "A intenção era anular o ano letivo totalmente, e nós levámos a proposta de validade parcial do ano letivo, para que o Governo se pronunciasse, para que as escolas que estão em condições retomassem as aulas", afirma.

No entanto, o porta-voz dos quatro sindicatos dos professores guineenses, António João Bico, levanta algumas preocupações sobre a retoma e conclusão do ano letivo.

"Temos dificuldades de infraestruturas escolares e estamos perante a pandemia da Covid-19, que exige, pelos menos, um número reduzido de alunos por turma". No entanto, é difícil encontrar o número suficiente de escolas para ter turmas reduzidas, diz. "Sendo assim, a exequibilidade vai exigir também ao Ministério da Educação a criação de condições para construir novas infraestruturas escolares."

Dois meses é pouco

Ouvido pela DW África, o perito no setor de ensino guineense Silvino Ialá reforça que dois meses é pouco para dar aos alunos os conteúdos que restam.

"O fator chuva poderá criar grandes dificuldades. Mesmo três ou quatro meses não serão suficientes."

O setor da educação da Guiné-Bissau tem sido abalado por constantes greves dos professores, e vários observadores defendem um pacto entre Governo e sindicatos para a estabilização do sistema de ensino.

por: Iancuba Dansó (Bissau)

Na sua rede favorita

Siga-nos na sua rede favorita.