Munidos de uma esperança tão forte como o sol que se faz sentir na Zona Económica Especial, uns com o ‘curriculum vitae’ na mão e outros já mesmo com o material de trabalho à mão, desde a data da abertura, mais de uma centena de jovens em idade laboral marcam presença diariamente na entrada da FILDA atrás de uma oportunidade de trabalho. A 2.000 kwanzas de distância dos empresários, valor que não podem despender para entrar na feira, muitos são os jovens que vêem passar a sua chance “do outro lado da porta”.

“Já gasto muito dinheiro de táxi para chegar até aqui. Comprar um bilhete todos os dias para abordar os expositores ficaria muito caro para mim. Luto pela minha oportunidade a partir daqui, de fora. Tenho fé que alguém vai baixar o vidro do seu carro e chamar por mim, por isso, ando sempre muito bem apresentado e acompanhado do meu CV”, disse Pedro Alexandre, jovem de 22 anos, estudante do 12º ano do curso de Contabilidade e Gestão, que desde terça-feira (10) procura trabalho na referida feira.

Por outro lado, há sempre quem consiga um passe de acesso ou se organize no sentido de ter assegurada a sua presença no interior do pavilhão.

“Sempre fico atenta às edições da FILDA, reservo já o meu balde, a minha vassoura, a pá e o pano de chão. Há quase sempre uma pessoa de boa fé que me dá um passe. Todos os dias passa muita gente por aqui, essa é a minha sorte, não tem como os stands estarem limpos o tempo todo. Chego cedo e cobro dois mil kwanzas por empresa para manter os seus stands limpos até às 18 horas. Nem sempre há pessoas a chamarem por mim, por isso, ando mesmo stand a stand a promover o meu serviço de limpeza”, revelou Ana Simão, que encontra nas várias edições da FILDA um ‘biscato’ para amenizar o desemprego que há 4 anos a abraça.

De relembrar que a 34ª edição da FILDA arrancou no passado dia 10 de Julho (terça-feira), com mais de 350 empresas nacionais e estrangeiras, e deverá decorrer até ao próximo sábado, dia 14.