Queria trabalhar no ramo da construção civil, hoje o seu sonho é chegar onde os seus ídolos como R-Kelly e Youssou N’Dour chegaram, para conquistar o seu espaço.

Ésio já foi rejeitado muitas vezes e já regressou a casa a pé em muitas  madrugadas, tudo por causa da sua forma humilde de ser. 

Hoje a sorte bateu no seu destino e nos últimos meses a sua música é um grande sucesso nas rádios, festas e casas noturnas do país.

Ésio Castelo Branco Adriano, para quem não sabe, é filho de Artur Adriano, ele que é um dos expoentes máximos da música nacional. Natural de Luanda e residente no bairro Popular, o autor do “Dadão” tem como maior defeito a timidez e nos tempos livres tem como opção o livro “Outros sorrisos nos nossos lábios”.

SAPO: Afinal quem é o Ésio ?

Ésio: Sou um músico que já há muito tempo tem lutado para que o povo angolano pudesse ouvir as minhas músicas, estou a dar a cara só agora mas a luta já é desde há muito tempo e está ser muito bom. 

SAPO: Com quantos anos e onde aprendeu a cantar e tocar guitarra?

Ésio: Eu aprendi a tocar guitarra no anos de 1999 e 2000, daí comecei a fazer as minhas músicas como a “Dadão” e outras que já tenho preparadas para o meu álbum. 

Já a cantar, os primeiros passos dei com um amigo porque fazíamos parte do mesmo grupo de RAP, infelizmente o grupo desfez-se e decidi seguir em frente com a carreira.

SAPO: Ser filho de um dos nomes que muito fez pela música angolana influenciou-o a cantar?

Ésio: Quando encachei a música não pensei que por ser filho de quem sou iria seguir a mesma carreira, até porque o meu sonho sempre foi fazer construção civil, embora a paixão de fazer música também existisse.

SAPO: Até chegar onde está, que barreiras já encontrou? Já foi alguma vez “barrado” por uma casa de música em Luanda?

Ésio: Eu hum! Se eu não dissesse que já fui, as pessoas que viram-me a ser barrado diriam que estou a mentir. Várias vezes fui barrado e não adianta estar aqui a citar nomes dos espaços mas isso aconteceu porque as pessoas têm a mania de julgar o livro pela capa e muitas vezes aquele que está vestido à grife, é sempre bem aceite.

Foi muito doloroso ter que muitas vezes chegar para cantar e por mais que implorasse não era aceite, tendo que regressar muitas vezes de madrugada para casa cansado e triste porque nunca me queriam dar oportunidade. Mas eu acreditava no meu potencial e sabia que podia mostrar algo diferente que talvez o pessoal iria gostar.

SAPO: Como conseguiu a sua primeira guitarra? 

Ésio: Graças a Deus a cultura reconhece os bom músicos e o meu pai teve o privilégio de ser homenageado no Centro Recreativo Cultural Kilamba e foi-lhe oferecida a guitarra, como ele já sabia que eu tinha interesse em aprender deu-me de presente. Hoje a guitarra está em casa, mesmo sem cordas ela faz parte da minha história, para mim aquilo é um monumento.

SAPO: Hoje a sua música toca em qualquer canto do país. Como se sente quando passa pelas ruas e as pessoas o reconhecem como criador do “Dadão”?

Ésio: Sinto-me muito bem quando as pessoas reparam e me reconhecem, para mim é satisfatório quando me encontro com alguém e me diz coisas que enchem o meu ego e me fazem sentir contente. Então sinto-me com o dia ganho isso porque me encontrei com mais um que gosta daquilo que eu faço

SAPO: O público angolano é muito exigente, que estratégias pretende usar para manter o sucesso?

Ésio: Para além da música tem uma coisa que eu transmito a todos: a mensagem. Eu acredito que todo povo que ouvir o meu CD, que está já a caminho, vai ver que a única mensagem que eu tenho não é só o “Dadão”, tem outras músicas, o “Capuete”, “Não te quero mais”,  “Aiwé” e a “Maçã”.

SAPO: Qual é seu o segredo ao compor uma música?

Ésio: O meu maior segredo é que ao escrever as minhas letras primeiro tenho que atingir e sentir a mim mesmo. Depois aos outros. Então acredito que com esta base, não será só o “Dadão” que ficará na boca do povo porque já sinto que outras também irão estar.

SAPO: O que mais espera alcançar com a música?

Ésio: Com a música eu pretendo alcançar não muito a fama mas ser reconhecido como fazedor da cultura e da arte, mas quero também ser conhecido a nível de África como os meus ídolos R-Kelly, Tótó, Youssou N’Dour e outros.

SAPO: Fama, amor e dinheiro qual é a prioridade?

Ésio: Com certeza amor. Eu costumo dizer normalmente às pessoas que ficam comigo que a vida sem amor não tem sentido, porque pelo facto da música “Dadão” estar a tocar não me dá o direito de fazer e desfazer, o mais importante é fazer música com amor.

SAPO: As suas músicas são histórias fictícias ou é uma realidade?

 

Ésio: As minhas músicas é tudo uma realidade, são coisas que posso não viver mas vejo pessoas a viver, então de uma forma ou de outra procuro enquadrar numa canção. 

Ao cantar, consigo ir buscar as mesmas pessoas que já vi passar por estas situações e acredito que outras pessoas que estiverem a ouvir também buscam a sua realidade nas minhas histórias.

SAPO: Ésio, com os shows em que participa já consegue viver da música?

Ésio: Há shows que o Ésio aparece simplesmente por amizade, muitas vezes as pessoas pensam que é para ganhar algo. Não, é para recompensar aquilo que os media e amigos já fizeram por mim. Mas das vezes que faço por contrato, o valor que me é dado é bem proveito.

SAPO: Para quando o CD e que participações terá?

Ésio: A venda do meu CD está marcada para dia 29 de Julho. Já nas participações eu gostava muito de ter a do Totó e do Ja Kanga, por serem pessoas que me apoiaram muito e gosto muito da forma deles de cantar.

Tenho também as participações da Massissa Samuel e da Rosa Baptista como coristas e a participação de um amigo que canta kuduro, Zecas Power.

Acompanhe o vídeo do talento da semana!

@ Elsa Paulino