"Eles abriram as portas e deixaram eles ficarem lá [nas suas instalações], e estão com eles há mais de 24 horas sem comunicar as autoridades competentes e isso é um auxílio [de imigração ilegal]", disse à Lusa Felizardo Jamaca, porta-voz da direção de Migração da Cidade de Maputo.

De acordo com a fonte, o grupo foi encontrado nas instalações da Nagi Investimentos pela equipa de fiscalização, sem documentos, e, segundo as autoridades, a empresa tê-los-á albergado porque iriam usar os seus autocarros rumo aos seus destinos.

O grupo de 49 pessoas, 11 das quais menores, tinha como destino o Maláui, saindo da África do Sul e, segundo o porta-voz, preferiu usar Moçambique pois só teria de atravessar apenas uma fronteira para chegar ao território malauiano.

"Encontramos os cidadãos à espera de serem levados para o seu país de origem e a Nagi estava a criar condições para o efeito", afirmou Felizardo Jamaca, acrescentando que tem sido recorrente que as empresas que operam no ramo "auxiliem" passageiros na imigração ilegal para obter lucros.

"Só na semana passada, houve cerca de 30 casos, todos da mesma nacionalidade", disse a fonte, avançando que a empresa, que poderá ser responsabilizada, deverá criar condições de alojamento e alimentação até ao final do processo de repatriamento do grupo.

Moçambique tem 56 postos de travessia, dos quais 24 foram encerrados na sequência do estado de emergência que vigorou nos últimos quatro meses devido à pandemia provocada pelo novo coronavírus.

Em março, a polícia moçambicana encontrou 64 pessoas mortas num contentor, transportado num camião na província de Tete, centro de Moçambique.

Segundo as autoridades, as mortes terão acontecido por asfixia e as vítimas eram imigrantes ilegais, de diferentes países (incluindo a Etiópia), que atravessaram a fronteira do Maláui para Moçambique.

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