Wu Gan, detido em Maio de 2015 quando trabalhava num escritório de advocacia de Pequim, foi condenado por um tribunal da cidade de Tianjin (norte) por tentativa de "subversão", afirmou à AFP o seu advogado, Ge Yongxi, do lado de fora do palácio de justiça, ao qual a imprensa estrangeira não teve acesso.

A sentença parece ser a mais severa contra dissidentes na China desde junho de 2016, quando dois membros do Partido Democrático chinês, Lu Gengsong e Chen Shuqing, foram condenados, respectivamente, a 11 e 10 anos e meio de prisão pelo mesmo motivo.

Também é a maior condenação desde o Congresso do Partido Comunista Chinês (PCC), quando o presidente Xi pediu a "defesa da autoridade do partido e do sistema socialista chinês e a oposição categórica a qualquer palavra ou acção que os abalem".

Wu Gan, de 44 anos, foi detido em 2015 durante uma série de prisões de quase 200 advogados, juristas e activistas que tratavam de casos delicados. Muitos foram liberados, mas vários foram processados. Wu Gan é agora o réu com a maior condenação do grupo de dissidentes conhecido como "709".

Outro membro do grupo, o advogado Xie Yang, também foi condenado nesta terça-feira por subversão por um tribunal de Shangsha (centro), mas os juízes decidiram suspender a pena devido ao seu "arrependimento" e porque os crimes não provocaram danos graves à sociedade, de acordo com um vídeo da audiência divulgado na rede social Weibo.

Depois de permanecer incomunicável por seis meses, Xie Yang, por via dos seus advogados, acusou a polícia chinesa de tortura, o que provocou as críticas de vários países ocidentais no início do ano.

Xie Yang defendeu-se das acusações e declarou-se culpado durante o processo em Maio. Nesta terça-feira, no tribunal, pediu desculpas por ter induzido a opinião ao erro "sobre a questão da tortura".

A mulher e as duas filhas abandonaram a China clandestinamente no início do ano e mudaram-se para os Estados Unidos.

Na sua rede favorita

Siga-nos na sua rede favorita.