Antes da pandemia, 258 milhões de crianças e adolescentes estavam fora do sistema escolar, segundo a ong britânica Save the Children.

Segundo o relatório 1,6 mil milhões de alunos tiveram que abandonar as aulas em escolas ou universidades devido à pandemia de Covid-19.

Pela primeira vez na história da humanidade, uma geração inteira de crianças viu seu ritmo escolar alterado“, destaca a Save the Children no seu relatório.

A associação, que pede a governos e doadores acções fortes para enfrentar o que designa de “urgência educacional mundial“, considera que até 9,7 milhões de alunos podem abandonar a escola para sempre até o fim de 2020.

Sem essas acções, as desigualdades existentes hoje “vão aumentar entre ricos e pobres, e entre meninos e meninas“, declarou em comunicado Inger Ashing, directora-geral da Save the Children.

Em 12 países, principalmente no centro e no oeste da África, assim como no Iémen e no Afeganistão, as crianças enfrentam um “risco extremamente forte” de não voltarem às escolas após o confinamento, especialmente as meninas.

A ong alerta ainda para a situação em países como o Uganda, onde as crianças são obrigadas a trabalhar devido ao encerramento dos estabelecimentos de ensino e à situação económica actual.

A Save the Children apela os credores comerciais a suspenderem o reembolso das dívidas dos países pobres, o que permitiria – segundo a ong – desbloquear 14 mil milhões de dólares, que poderiam ser investidos na educação.

Se esta crise educacional mundial continuar, o impacto nas crianças será terrível e durável, e a promessa de garantir a todas as crianças o acesso à educação até 2030, objectivo fixado em 2015 pela ONU e os líderes do mundo inteiro, será retardada de vários anos, afirma ainda a directora geral da Save the Children.

A ong estima em 77 mil milhões de dólares a queda nas despesas em relação à educação nos países mais pobres nos próximos 18 meses e num cenário ainda pior, no qual os governos atribuiriam as despesas da educação a outros sectores, para responder à pandemia de Covid-19, a baixa poderia atingir 192 mil milhões de dólares.

A esta constatação acresce-se o relatório da ONU publicado esta segunda-feira (13/07) em 2019 1 em cada 9 seres humanos sofreu de sub-alimentação crónica, ou seja 690 milhões de pessoas o equivalente a 8,9% da população mundial, um número que deve aumentar este ano devido à pandemia de Covid-19, estimando-se que até 2030 este nùmero ultrapassarà os 840 milhoes de pessoas.

A ONU fixou também em 2015 o objectivo de erradicar a fome no mundo até 2030.

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