Segundo um relatório do comando provincial da Polícia da Nacional na Huíla, que a Angop teve acesso, dos 69 homicídios registados, 59 são por questões passionais.

Os números indicam haver uma média de dois casos por semana. Por exemplo, nos últimos sete dias foram registados cinco assassinatos, sendo que três são pelas mesmas razões. A idade das vítimas varia dos 35 a 70 anos.

Entrevistado pela Angop, o sociólogo Gabriel Chipalanga, alerta à necessidade de um estudo profundo sobre a questão, para encontrarem-se medidas de prevenção.

Segundo o académico, é uma situação que está quase sempre ligada a traições, que acabam se traduzindo em ódio, ciúme, desconfianças e ligados a razões culturais, assim como uma união sem afecto só por bens materiais.

"Nos dias de hoje, nós observamos relacionamentos não afectivos, virados mais para vertente social, económico, cultural e político, levando que um dos cônjuges, pela fraca capacidade de diálogo, a cometer homicídio", referiu.

Os primeiros passos de um relacionamento, segundo o estudioso, caracterizam-se por várias promessas e quando não se concretizam caem no ódio e este vai gerar outros conflitos, por isso dentro de um relacionamento deve existir partilha de ideias e metas a atingir, sempre baseado no respeito mútuo de modo a evitar casos do género.

“Para realizarmos um casamento, primeiro temos que ter um sentimento, depois temos que reflectir, vou casar para crescer, para cooperar, para formar uma família e não casar para depois cometer assassinato”, realçou.

Segundo a fonte, no passado haviam famílias monoparentais oriundas de guerras, hoje existem famílias monoparentais oriundas de separação e de homicídios, e dentro deste estilo de família a vezes a gestão é mais difícil pela falta de um dos cônjuges.

Por esta razão recomendou que as famílias cooperem, partilhem, planifiquem mais e cresçam unidas para que a sociedade se fortifique.

O sociólogo recomenda a igreja a não perder de vista o seu papel preponderante, que consiste na manutenção das famílias e consequentemente da sociedade.