O projecto de produção do referido soro é de iniciativa do Executivo angolano, tendo para o efeito sido já disponibilizado 132 milhões de Kwanzas, valor usado na ampliação e aquisição de equipamentos laboratoriais para o CIMETOX, visando o êxito do estudo epidemiológico em curso.

A informação foi avançada pelo decano da Faculdade de Medicina de Malanje, André Pedro Neto, durante a abertura das Jornadas Científicas alusivas ao 10º aniversário da Universidade Lueji A'Nkonde e 8º do CIMETOX, assinalados a 21 de Outubro último e a 10 deste mês, respectivamente.

O estudo em causa, segundo André Pedro Neto, consubstancia-se na captura e identificação de serpentes existentes em Angola para, a partir daí criar-se uma vacina que dê respostas ao nível de letalidade das espécies existentes no país, entre outras etapas, que vão culminar com a assinatura de um convénio com uma instituição argentina, especializada em produção de soros antiofídico.

Quando aos antídotos usados actualmente para tratar casos de mordedura de serpentes, maior parte dos quais importados da Alemanha, Índia e África do Sul, a fonte disse ser pouco eficaz, por não serem compatíveis com os tipos de serpentes existentes em Angola.

Disse que o soro antiofídico representará uma mais-valia para a indústria médica e farmacêutica nacional, na medida em que ajudará a enfrentar a vulnerabilidade por exposição à produtos químicos e mordeduras de animais peçonhentos, que têm resultado em alguns casos em mortes.

Único do país e o 12º de África, o CIMETOX tem por finalidade dar suporte ao diagnóstico e tratamento de casos de intoxicação e envenenamento por mordeduras de bichos rastejantes, assim como formar técnicos na área de toxicologia.

Desde a criação do centro, em 2011, foram atendidos 21 mil casos de intoxicações diversas, com realce para 6 mil e 198 de mordeduras de serpentes e os demais relacionados com intoxicação por medicamentos como praguicidas, substâncias ilícitas, produtos de higiene e limpeza.

Conta actualmente com 16 técnicos angolanos e cubanos das áreas de vigilância toxicológica, laboratório experimental, microbiologia, informação toxicológica, biotério e físico-químico.

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