Segundo a responsável, na abertura da jornada da Mulher Africana, a decorrer até ao próximo dia 31, o facto de a adolescente apresentar uma estatura física robusta e atraente, não implica estar suficientemente preparada para assumir um relacionamento, uma vez que, do ponto de vista da maturidade ainda é uma criança.

Maria de Fátima Cawewe apontou, entre as consequências do casamento e da gravidez precoces, a mudança de rotina, o abandono escolar, as dificuldades em arranjar um emprego, a impossibilidade de realizar alguns sonhos, o afastamento pelo pai da criança, a opressão e discriminação social.

Entretanto, disse serem as áreas rurais as que apresentam o maior índice de casos de género, onde os pais, muita das vezes, são responsáveis pela proliferação deste fenómeno nas comunidades, alegando que quando uma adolescente atinge 15 anos sem engravidar fica-se ultrapassada para idade dos maridos desta localidade.

“É com muita tristeza que temos vindo assistir casamentos precoces, em que a menina tem apenas 12 ou 15 anos de idade e o homem já é idoso. E por possuir alguns bens que irá proporcionar o bem-estar da família, os pais consentem esta união’’, lamentou a responsável, que não apresentou dados da situação.

Por sua vez, o administrador da comuna da Calima, no município do Huambo, Lino Sondembe Martins, ressaltou que as mulheres constituem a alavanca no desenvolvimento da economia.

Referiu que, na sua área de jurisdição, que possui uma densidade populacional na ordem de 63 mil e 810 habitantes, 33 mil e 333 dos quais são mulheres camponesas, equivalente a 57, 7 por cento.

De igual modo, salientou a necessidade de maiores apoios para que estas possam desenvolver a actividade agrícola, contribuindo diariamente na obtenção da cesta básica para sustento das famílias, uma vez que a maior parte delas são consideradas chefes de famílias.

As jornadas, cuja abertura decorreu na comuna da Calima, 18 quilómetros da cidade do Huambo, decorre sob o lema “Emponderar as mulheres africanas é  construir uma África inclusiva e segura”.

A data foi instituída a 31 de Julho de 1962, em Dar-Es-Salaam, Tanzânia, por 14 países e oito movimentos de libertação nacional, na Conferência das Mulheres Africanas, consagra à reflexão do papel da classe feminina de África na sociedade.

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