As referências aos atentados de 11 de setembro de 2001 nos Estados Unidos floresceram na última década em romances, contos ou ensaios, apresentando sobretudo o vazio deixado pela destruição das Torres Gémeas de Nova Iorque.

No best-seller "Freedom", publicado pelo americano Jonathan Franzen em 2010 e traduzido para português (Liberdade), o autor descreve um país onde tudo desmoronou na última década, referindo-se à família, ao amor, à moral ou à política.

No romance, cujos personagens principais são os membros de uma família, os atentados de 11 de setembro de 2001 aparecem como pano de fundo, mas os posteriores atropelos nos planos político, militar e diplomático, incluindo o cinismo da guerra do Iraque ou os perigos que ameaçam a existência do planeta, ocupam um lugar importante no relato.

Em "Terrorista", John Updike lançou-se também no tema do terrorismo, embora tenha sido criticado por se colocar no lugar dos islâmicos. No livro, relata o que ocorreu com Ahmad, um jovem estudante que decide se dedicar à Jihad.

Em "Fantasma sai de cena", Philip Roth revive Zuckerman, protagonista de outros romances do escritor, que regressa a Nova Iorque após os atentados e volta a viver ali com uma mulher.

Paul Auster, que viu as Torres Gémeas desaparecerem do terraço da sua casa, imagina em "Homem no Escuro" uns Estados Unidos no qual não existiram os atentados de 11 de setembro de 2001, que o escritor considera como "o dia mais longo" da sua vida. No entanto, a vida nos EUA está dominada por uma guerra civil.

Os atentados de 2001 aparecem ainda no fim de outro romande de Auster, "Brooklyn Follies".

Para Martin Amis, que publicou "O segundo avião", um livro com artigos, contos e ensaios, "continuámos a viver no 11 de setembro" de 2001.

Don DeLillo, autor do ensaio "Nas ruínas do futuro", afirma algo semelhante, quando afirma que "há algo vazio no céu". Em "Homem em Queda", este mesmo escritor conta a vida de um sobrevivente traumatizado, inspirado na imagem captada pelo fotógrafo da Associated Press Richard Drew, de uma homem que se atirou da Torre Norte do World Trade Center.

Por último, em "Uma desordem americana", Ken Kaulfus utiliza o humor negro. Cada um dos membros de um casal perto do divórcio espera que seu ex-amado ou amada tenha morrido nos atentados, o que não acontece.

Em Portugal, Pedro Paixão publicou em 2001 "A Cidade Depois", 13 textos escritos em Nova Iorque depois de 11 de setembro e um poema de Walt Whitman.

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SAPO/AFP

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