“Festa de Quintal” é o novo trabalho cinematográfico do realizador Coerón Dú. O filme dividido em parte duas partes, um documentário e um ficcional, sobre essa tradição mundial das festas de quintal que tem também muito peso na cultura angolana.

Coreón Dú apresentou o seu novo projecto esta terça-feira, dia 15, em Lisboa, no festival Festin, Festival de Cinema Itinerante da Língua Portuguesa.

Os filmes foram produzidos como parte final da sua tese de mestrado em “Dance Theatre”, na escola de dança Laban, que faz parte do Trinity Laban Conservatoire of Music and Dance, em Londres, Reino Unido, em 2010.

Com este projecto o  realizador artista angolano pretende dar continuidade ao seu olhar sobre o quotidiano de Angola. “No documentário [Festa de Quintal] pesquisei os elementos da teatralidade da festa de quintal angolana. Entrevistei algumas pessoas, como artistas e sociólogos, entre outros que participaram no documentário. O segundo filme é uma representação em que fui buscar elementos da cultura popular angolana e da cultura popular mundial.”

Em "Festa de Quintal" participaram personalidades como Yuri da Cunha, Carlitos Vieira Dias, Filipe Zau e Lina Alexandre, o crítico cultural Jomo Fortunato, a coreógrafa e pesquisadora de dança Ana Clara Guerra Marques, a professora de dança Marie Vancol, a coreógrafa Sheila Cirigado e outras figuras proeminentes do teatro angolano, como Adelino Caracol, José Mena Abrantes e o mítico dançarino Mateus Pelé do Zangado.

Este é o quarto documentário de Coréon Dú. “Eu já havia feito dois, que na verdade foram para televisão, não foram para o cinema, estavam mais ligados ao activismo social. Um deles estava ligado a um projecto que eu desenvolvi, ‘Droga diga não’, e o outro era sobre a delinquência juvenil, chamado ‘Delinquência estou fora’”, contou o realizador. Recentemente Coréon Dú co-realizou, com a professora Isilda Hurst, o documentário “Ritmos Urbanos”.

Este é o primeiro filme em que Coréon Dú intervém como realizador, e o autor não fecha portas a novas experiências. “A recepção está a ser bastante positiva e espero fazer mais no futuro, vamos ver para onde o meu percurso artístico me leva”.

Coréon Dú considera que o cinema angolano está no bom caminho, graças às pessoas envolvidas na produção e realização dos filmes, que não ficam a espera mas fazem as coisas acontecer. “Houve um período, muito longo, em que os cineastas e as pessoas interessadas estavam a espera que alguma coisa acontecesse para que possibilitasse o seu trabalho. Mas há artistas mais dinâmicos que acabaram por dar os primeiros passos sozinhos e perceberam que esse é o caminho”.

@Edson Vital