A disputa centenária que opunha 41 tribos ameríndias ao governo dos Estados Unidos chegou ao fim, com a administração americana a aceitar pagar o montante de mil milhões de dólares (762 milhões de euros) em compensação pela utilização e exploração de terras nativas, e das respectivas matérias-primas.

O contencioso arrastava-se há mais de 100 anos e nos últimos 22 meses as negociações entre os representantes das tribos índias e o governo federal americano entraram finalmente na fase decisiva, pondo termo ao que o departamento de Justiça considerou "um longo litígio que pesa sobre os queixosos e sobre os EUA”.

O comunicado, assinado pelo  Procurador de Justiça dos Estados Unidos, Eric Holder, refere que o acordo "resolve, de forma justa e honrada, as queixas históricas [dos nativos americanos] sobre a gestão de fundos alocados às tribos, sobre as suas terras e outros recursos não financeiros que foram, durante muito tempo, uma fonte de conflito entre as tribos índias e os EUA.”

Por seu lado, o secretário da Justiça, Ken Salazar, adiantou que, para além disso, “reforça a relação do governo com as populações tribais e continua a estabelecer uma relação de trabalho positiva com os seus dirigentes, e dá mais poder às comunidades ameríndias.”

O valor a receber pelas várias tribos difere muito. A Tribo Ute, por exemplo, vai receber cerca de 42 milhões de dólares e não é sequer uma das que vão receber mais. Há tribos que irão embolsar cerca de 150 milhões de dólares. Mas também há outras, como a Tribo Nooksack (estado de Washington), que não receberão mais do que 25 mil dólares.

O roubo e a exploração das terras que, ao longo de muitas gerações, pertencerm às tribos índias, com o consequente exílio forçado das tribos para reservas distantes, é umas feridas
mais profundas que marcam a chegada e expansão do homem branco pelo território americano.

As últimas guerras índias (que já no final não passavam de pequenas escaramuças) tiveram como motivo a derradeira tentativa dos índios em preservar um estilo de vida ameaçado pela expansão dos colonos em direcção às pradarias do Oeste americano.

Batalhas como a de Little Big Horn - em que uma coligação de índios Sioux com outras tribos, comandada por Sitting Bull, derrotou um regimento da cavalaria americana liderada pelo General Custer - e massacres como o de Wounded Knee, levada a cabo por soldados americanos, contra índios indefesos, fazem parte da memória colectiva americana.

E os descendentes dos escravos?

No mesmo sentido, várias propostas de reparação a ser paga pelo governo dos Estados Unidos aos descendentes dos antigos escravos das plantações têm vindo a público, nos últimos anos.

Activistas dos direitos humanos exigem que essa reparação possa ser em forma de educação gratuíta, assistência médica gratuíta, e outras ajudas financeiras por um período de 50 anos, sem qualquer tipo de impostos.

Como curiosidade, a revista Harper's Magazine fez uma estimativa do custo total das reparações aos milhões de descendentes dos escravos americanos. O valor ascenderia a uns astronómicos 100 trilhões de dólares, baseados em cerca de 222,505,049 horas de trabalhos forçados entre os anos 1619 e 1865 (fim da escravatura) calculados a uma taxa de juro de 6%.

Mas se fosse obrigado a pagar, o governo dos Estados Unidos só seria responsável por uns 40 trilhões, já que o país só passou a existir enquanto tal a partir de 1789.

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