Numa batalha desenfreada entre um governo que tenta a todo custo “melhorar o que está bem e corrigir o que está mal” e um povo desejoso por sentir na pele os resultados desta mudança, o país celebra hoje, 11 de Novembro, 44 anos de liberdade, desde a proclamação da independência em 1975, responsabilidade que coube ao primeiro presidente, Dr. António Agostinho Neto.

É a festa da dipanda mas será que a canção convida à dança?

Embora seja a música um ingrediente indispensável às comemorações e uma das artes mais apreciadas pelos angolanos, não é, de todo, a melhor melodia que se pode ouvir neste momento. Gritos em torno da seca, falta de emprego e difícil acesso aos vários produtos e serviços, fazem-se ouvir, em modo repetido, nesta que podemos chamar de “Festa da Dipanda 2019”, um ano particularmente pesado para o povo angolano.

SECA
Se há uns tempos já era possível ouvir-se falar sobre a seca no sul do país, 2019 foi efectivamente o ano da afirmação, com maior tristeza para a província do Cunene, a região mais afectada. Este fenómeno, que a muitos roubou a alegria, deixou milhares de angolanos numa terrível situação de fome e sede, ceifou a vida de centenas e centenas de animais e continua a carecer de maior atenção de autoridades, órgãos de imprensa e membros da sociedade civil.

IVA
Desde a sua entrada em vigor a 1 de Outubro do ano corrente, o Imposto Sobre Valor Acrescentado (IVA – 14%), medida que o Governo considera mais justa em relação ao imposto de consumo, abriu o livro de críticas a analistas e economistas, serviu para muitos como base para a prática de especulação de preços, e confundiu as ideias de muitos cidadãos com “novos preços” para os bens e serviços.

Esta medida, que já começa a alargar a arrecadação de receitas do Estado - conforme indica a Administração Geral Tributária -, alterou completamente o comportamento de compra do povo, garantindo a este um posicionamento muito mais coerente e comedido no acto de compra.

DESEMPREGO
Se o sonho da casa própria era por muitos visto como número 1 para os angolanos, nestes que podemos chamar de “tempos difíceis”, a busca por um emprego passou a ser a grande prioridade, pelo menos para garantir a subsistência. Enquanto por um lado as dificuldades da vida e as universidades lançam ao mercado de trabalho quadros empenhados e competentes, pelas redes sociais e não só, são cada vez mais ouvidas as lamúrias desta população jovem que assiste “de camarote” o roubar das oportunidades pela crise.

De acordo com um Inquérito sobre Despesas, Receitas e Emprego em Angola (IDREA), do Instituto Nacional de Estatística (INE), publicado em Abril deste ano, a taxa de desemprego em Angola cresceu 8,8% nos últimos dois anos, atingindo 28,8% da população activa. Segundo o mesmo documento, o desemprego atinge 3.675.819 das 14.735.487 pessoas em idade activa. (Ler mais)

As três “faixas musicais” acima mencionadas (seca, IVA e desemprego), que este ano com maior incidência entoam com sentimento de pesar sobre as celebrações do dia da independência, colocam um fundo pouco sugestivo a esta tão importante data para todos os patriotas.

De relembrar que a Luta Armada de Libertação Nacional foi um processo que levou mais de 57 anos. Já a proclamação da Independência Nacional, consequência directa do referido acto heróico iniciado a 4 de Fevereiro de 1961, aconteceu há exactamente 44 anos, na madrugada de 11 de Novembro.

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