Os outros índices emblemáticos tiveram iguais — o alargado S&P500 recuou 4,42% – ou superiores, com o tecnológico Nasdaq a desvalorizar 4,61%.

Os resultados definitivos da sessão indicam que o Dow Jones perdeu cerca de 1.200 pontos, com os investidores a cederem à conjuntura dominada pela propagação do coronavírus Covid-19.

A queda do Nasdaq colocou-o nos 8.566,48 pontos e a do S&P500 encerrou abaixo dos três mil, nos 2.978,76 pontos, pela primeira vez desde outubro.

Depois de cair mais de 10% desde o início da semana, a praça nova-iorquina entrou no que se designa tecnicamente por zona de correção.

Após o Dow Jones ter batido um recorde no fecho da sessão há duas semanas, no que foi seguido uma semana depois pelo S&P500 e o Nasdaq na semana passada, Wall Street encaminha-se agora para uma das piores perdas semanais desde o outono de 2008, quando se vivia o impacto da crise financeira mundial.

A bolsa nova-iorquina evoluiu toda a sessão em território negativo, agravando as perdas pouco antes do fecho.

Segundo Maris Ogg, da Tower Bridge Advisors, as numerosas incertezas que envolvem a epidemia da pneumonia viral e o seu ritmo de propagação através do planeta estão a inquietar cada vez mais os investidores.

“Ainda não temos respostas e não as vamos ter durante algum tempo, sem dúvida nunca antes de duas a quatro semanas”, estimou esta analista.

“Quanto mais infeções existirem devido ao coronavírus, mais nos arriscamos a ficar em zona de correção”, prosseguiu.

Ogg recordou que os índices tinham estabelecido recordes recentemente, pelo que os investidores não se deveriam admirar destas descidas.

Na quarta-feira à noite, o Centro de Controlo e Prevenção de Doenças dos EUA (CDC, na sigla em inglês) anunciou um primeiro caso de “exposição desconhecida” na Califórnia, pessoa esta que não tinha viajado para zonas de risco nem estado em contacto com outro doente.

Não obstante, o Presidente norte-americano, Donald Trump, manifestou-se confiante, garantindo que uma propagação em grande escala do novo coronavírus nos EUA não era inevitável.

O número de casos do novo coronavírus no mundo elevou-se para 82.560, pelo menos, dos quais já morreram 2.813, em 50 países e territórios, segundo um balanço feito hoje pela AFP a partir de fontes oficiais.

Os países mais afetados são a China, a Coreia do Sul, a Itália, o Irão e o Japão.

O vento de pânico que soprou sobre o mercado acionista provocou um movimento dos investidores para valores considerados mais seguros, como as obrigações.

A taxa a 10 anos das obrigações do Tesouro norte-americano evoluía assim próximo do seu mínimo histórico, pelas 21:30 de Lisboa, em 1,264%, à semelhança aliás da taxa a 30 anos, nos 1,764%.

Em nota divulgada ontem, os analistas da Goldman Sachs anteciparam que as empresas norte-americanas não vão ter aumento de lucros, se o novo coronavírus continuar a progredir.

“A revisão em baixa das nossas previsões reflete o forte declínio da atividade económica chinesa no primeiro trimestre, com a contração da procura pelas exportações norte-americanas, a perturbação da cadeia de aprovisionamento, a diminuição da atividade económica norte-americana e uma incerteza acrescida”, escreveram os analistas do banco.

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