Segundo o secretário para informação do Sindicato dos Trabalhadores do CFL, Lourenço Contreiras, dá conta que a decisão foi tomada em assembleia de trabalhadores na sexta-feira passada.

"Os trabalhadores acharam por bem retomar a greve na quinta-feira, porque não foram satisfeitos os pontos que constavam no caderno reivindicativo, nem mesmo com a moratória que demos ao conselho da administração foi cumprido o tempo", explicou o sindicalista.

De recordar que em janeiro deste ano foi já observada uma greve geral, que cumpriu 14 dias, na sequência da apresentação de um caderno reivindicativo de 19 pontos à direção da empresa, que tem como principal exigência o pedido de aumento em 80% do salário, que a empresa diz não ter capacidade para atender.

Lourenço Contreiras sublinhou que foi dado um prazo à administração, solicitado pela mesma, até final de março, para a resolução dos pontos apresentados no caderno reivindicativo, essencialmente o aumento salarial.

"O conselho não cumpriu nem sequer a 20% dos pontos apresentados no caderno reivindicativo, então, reunidos em assembleia, os trabalhadores decidiram que retomemos a greve já a partir do dia 18", disse.

O secretário para informação do sindicato realçou que o período de negociações está esgotado, "porque não há interesse por parte do conselho de administração em querer satisfazer os pontos".

"Esta greve terá uma adesão de mais de 700 trabalhadores, numa percentagem de 80 a 85% da empresa", indicou.

Contactado o porta-voz do CFL, Augusto Osório, disse que a direção da empresa está a acompanhar todo o processo, remetendo para mais tarde qualquer informação sobre o assunto, estando prevista uma reunião hoje no Ministério dos Transportes de Angola ligada à questão.

Em janeiro, depois dos 14 dias de paralisação dos serviços, as partes acordaram que o aumento seria feito de acordo com a produtividade da empresa e numa proporção que seria determinada pelos rendimentos que a companhia vier a obter da sua atividade, começando pelos salários mais baixos.

O acordo previa ainda que a decisão de aumentar os salários seria precedida de uma avaliação a ser feita conjuntamente entre as partes para determinar as condições financeiras da empresa, três meses após ao início de implementação dos acordos.

O CFL realiza diariamente 17 viagens de comboio suburbano de passageiros, transportando, nos três serviços, perto de 6.000 pessoas, além da circulação bissemanal para as províncias do Cuanza Norte e Malanje.

Além do aumento salarial, os trabalhadores exigem melhorias das condições de trabalho, a atribuição de subsídios de alimentação e instalação, bem como a atualização de categorias laborais.

Com a greve por tempo indeterminado, em janeiro, a administração do CFL falou em perdas diárias de 1,5 milhões de kwanzas (4.227 euros).

NME // PJA

Lusa/Fim

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