Com 90 porcento dos cursos grátis, a Terra Brasil quer formar milhões de empreendedores angolanos nas 18 províncias a partir de 2020, tendo em conta o índice de desemprego no país.

Em entrevista exclusiva ao SAPO, a presidente da referida empresa, Camila Silveira, também directora da Câmara de Comércio Angola-Brasil, confirmou a informação e esclareceu: “90 porcento dos nossos eventos são grátis, mas ultimamente temos repassado as taxas que são gastas pelos organizadores.”

Fez saber também que a maioria das pessoas que solicitam os seus préstimos fazem comentários sobre a crise. Com isto, identificou que um dos maiores problemas é a falta de direccionamento, gestão, formação, informação e acompanhamento.

Contudo, aconselha os angolanos a retirarem a letra "s" da palavra crise para ficar "crie", a fim de criarem os seus próprios negócios com pequenos valores para sustentarem as suas famílias. “Se o angolano tivesse a noção de quanto é empreendedor, seria uma nacionalidade imparável no mundo inteiro”, realçou.

Camila salientou ainda que uma das suas missões em Angola é estar nos lugares mais desestruturados para formar novos empreendedores. “Eu acredito que todos são incríveis e cada um tem o seu potencial.”

Porém, alertou que a sua empresa tem equipamentos para os empreendedores e são comercializados em kwanzas, afirmando ainda que os pagamentos podem ser feitos por parcelas.

Por outro lado, a empreendedora brasileira confessou que se emocionou com o recente convite para fazer parte de um dos maiores grupos de empreendedores do mundo, BANS: “Confesso que foi emocionante, porque eu sei que são pessoas sérias, com muitas referências no mundo e fazem trabalhos incríveis.”

Além disso, mostrou-se também feliz por ver uma das suas formandas na província do Cunene que começou um negócio de cosméticos com apenas dois mil kwanzas. “Ela já tem um laboratório a produzir cosméticos. Iniciou comprando a matéria-prima. Eu tive a ideia de que ela não comprasse mais a matéria-prima, mas sim que plantasse as sementes que precisaria para produzir os cosméticos. Desta vez, quando fui ao Cunene, já vi as hortaliças para ela poder fazer os produtos dentro da agricultura angolana”, concluiu.

Em apenas três dias de formação intensiva entre a última semana de Agosto e princípio de Setembro, em Ondjiva, no Cunene, Camila formou mais de 500 empreendedores.

De salientar que a Terra Brasil começou o capítulo de formação em Fevereiro deste ano e já formou mais de 5000 empreendedores angolanos nas províncias de Benguela, Cunene, Cuando-Cubando, Luanda e Lunda Norte.

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