Descontando o impacto daquela operação, a queda é menor, na casa dos 12%, e deve-se a condições de mercado, com uma "redução significativa das taxas de juro", referiu Rui Barros, administrador delegado, em teleconferência de imprensa.

"Nós conseguimos ainda assim aumentar o volume de negócios e de vendas", resultado de um "crescimento forte da atividade".

“Contudo, as margens em que operámos são mais 'estreitas' que no passado", descreveu.

A redução das taxas de juro terá um impacto "transversal" em todos os resultados no sistema financeiro moçambicano, acrescentou Rui Barros.

O ABSA foi o primeiro banco de Moçambique a apresentar os resultados de 2019.

Rui Barros referiu que, apesar da redução do lucro líquido, a instituição terá registado taxas de crescimento acima da média de mercado, nomeadamente ao nível da captação de depósitos e de crédito, o que permitiu "amparar" o desempenho num contexto exigente.

Aquele responsável mostrou-se satisfeito com a saúde financeira da instituição e com a "performance" alcançada face aos desafios enfrentados.

O ABSA Moçambique apresentou hoje um lucro líquido 'estatutário' (seguindo as normas de relato internacional) de 1.048 milhões de meticais (14,2 milhões de euros) e um lucro líquido 'normalizado', ou seja, sem impacto da separação do Barclays, de 1.237 mil milhões de meticais (16,8 milhões de euros).

O banco terminou 2019 com um rácio de solvabilidade de 20%, acima do mínimo regulamentar de 12%.

Na apresentação de hoje, a instituição destacou ainda os crescimentos de 8,2% dos ativos totais, uma subida de 32,7% do crédito líquido a clientes e um aumento de 14,7% dos recursos de clientes, sendo que o capital cresceu 10,3%.

Rui Barros mostrou-se confiante na retoma do crescimento da economia moçambicana após a crise provocada pela pandemia da doença respiratória covid-19.

"Estamos cientes que a curto prazo teremos grandes desafios, mas num ambiente de normalidade a economia moçambicana irá retomar o ritmo de crescimento a que já estávamos a assistir nos últimos tempos", concluiu.

O novo coronavírus, responsável pela pandemia da covid-19, já infetou mais 505 mil pessoas em todo o mundo, das quais morreram cerca de 23.000.

Dos casos de infeção, pelo menos 108.900 são considerados curados.

Depois de surgir na China, em dezembro, o surto espalhou-se por todo o mundo, o que levou a Organização Mundial da Saúde (OMS) a declarar uma situação de pandemia.

O banco Absa - nome que significa Amalgamated Banks of South Africa - tem sede em Joanesburgo, África do Sul, foi fundado em 1991 e em 2013 fundiu-se com as operações africanas do Barclays, assumindo a marca britânica, num processo revertido cinco anos depois.

Apresenta-se como um grupo cotado na Bolsa de Valores de Joanesburgo com ativos totais superiores a 91 mil milhões de dólares, ou seja, entre os maiores grupos de serviços financeiros de África.

O banco ABSA Moçambique encontra-se entre os seis principais do país, de acordo com os indicadores do Ranking do Setor Bancário, publicação anual da consultora KPMG.

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