Entrevistado hoje pela Angop, o presidente da Associação dos Produtores de Sal em Angola, Tottas Garrido, referiu que o último estudo data do fim do conflito armado e, por esta razão, encontra-se já desajustado.

Indicou que, em princípio, a Organização Mundial da Saúde (OMS) estipula como padrão 60-100 micro gramas por grama de sal, devendo cada pessoa consumir, em média, cinco gramas de sal/dia.

Porém, este estudo data de mais de uma década, por isso, a Universidade Agostinho Neto está a trabalhar sobre a sua actualização, apesar de o estudo ser oneroso.

Disse ser necessário que se altere a legislação do sal, porque vai ser preciso que se fundamente, por exemplo, qual foi a razão de se ter colocado certa quantidade de iodo numa tonelada de sal.

Actualmente, acrescentou, em Angola já se consome iodo (ainda que em pequenas quantidades) sob diversas formas, por via das maioneses e outros produtos, daí a razão deste estudo que vai redefinir certos parâmetros.

Reconheceu que na fase do último estudo havia pouca circulação de pessoas e meios, mas hoje o país está completamente interligado e muito aberto ao mundo exterior.

Quanto à qualidade do sal angolano, acrescentou tratar-se de um sal marinho da mais alta qualidade, sem contaminação de espécie alguma, todavia, o país estabeleceu basicamente três tipos de sal em tratamento localmente (o sal de mesa, o de um quilograma – de granulação média e o sal grosso), uma vez que faltam ainda investimentos para se tratar outros tipos, nomeadamente o grume e o sal premmium, muito procurado nas superfícies comerciais e hoteleiras, mas isso só vai acontecer quando haver facilidades de investimentos.

Por enquanto, o sector do sal consome no país três toneladas e meia (3.500 quilogramas) de iodo anualmente, com custos de USD 120 mil, cuja importação está sob tutela do Ministério da Agricultura e Pescas, como único importador.

Sublinhou que este facto preocupa os produtores de sal, uma vez que o Estado tem uma administração muito pesada e, qualquer falha do órgão de tutela, poderá resultar numa escassez, ou mesmo ropturas, por isso, têm estado a incentivar outros importadores a abraçarem essa tarefa de trazer iodo ao país, uma vez que uma possível rotura de iodo pode levar a paralisação total da produção de sal, o que não seria desejável.

Com mil e trezentos postos de trabalho directos (1.300) ligados ao sector do sal em todo país, o presidente da Aprosal assegura não se vislumbrar qualquer necessidade de despedir-se quem quer que seja.

“Em termos produtivos estamos bem, os níveis anteriores não foram afectados, por isso nenhum dos 14 associados colocou a intenção de reduzir trabalhadores”, frisou, antes de acrescentar que os 14 membros da Aprosal ocupam mil e duzentos hectares de campos em exploração pelo país.

Referiu que o sector do sal não vive tanto os problemas causados pela Covid-19, porque as unidades produtivas sempre situaram-se em regiões suburbanas, sem grandes riscos de contágio, já que outras medidas de confinamento em relação àqueles que sempre residiram em zonas urbanas (trabalhadores administrativos, mecânicos, electricistas e outros) foram tomadas antecipadamente, de modo a evitar qualquer probabilidade de  transmissão.

Neste momento, segundo o responsável associativo, o sal tem sido iodizado a partir dos campos de produção, por isso o país apresenta-se melhor do que em outros períodos.

Sobre o consumo, informou que o sal nacional tem saída no mercado local, a julgar pela política de proteccionismo adoptada pelo Executivo.

Indicou ainda que o sector dos petróleos também é um dos grandes consumidores de sal, mas infelizmente, em Angola, as petrolíferas preferem importar sal namibiano por alegada falta de alguma qualidade do produto nacional.

Enquanto isso, lamentou o facto de operadores do sector que trabalham a terra a 40 ou 30 anos, não conseguirem ter acesso aos títulos de “concessão de terra” por razões burocráticas.

Ainda assim, agradeceu o empenho pessoal do governador da província, Rui Falcão, na atribuição de títulos aos produtores de sal e, segundo informou, não fossem os constrangimentos provocados pela Covid-19, já alguns passos teriam sido concretizados.

A Aprosal foi fundada em 2009 e congrega actualmente 14 produtores das províncias de Benguela, Namíbe, Bengo e Cuanza Sul.

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