"A Fitch Solutions espera que a agenda reformista do Governo do Presidente João Lourenço aumente ainda mais o sentimento dos investidores em 2019, com a consolidação do poder e o novo acordo com o Fundo Monetário internacional a darem o fôlego necessário para as mudanças de política", escrevem os analistas.

Numa nota enviada aos investidores e a que a Lusa teve acesso, sobre a perspectiva de evolução económica de Angola, os analistas alertam, no entanto, que "as medidas destinadas a melhorar o ambiente de concorrência e a consolidação orçamental, num contexto de fragilidade económica, têm o potencial de aumentar as tensões entre os membros do partido no poder, que podem tornar-se mais resistentes às reformas, bem como o eleitorado".

Para estes analistas da consultora, que é detida pelo mesmo grupo que detém também a agência de 'rating' Fitch, "as medidas planeadas para melhorar o panorama da concorrência empresarial e a dinâmica orçamental, que deverão ser implementadas nos próximos trimestres, têm potencial para ser mais politicamente sensíveis que as medidas aplicadas em 2018".

Como exemplo, os analistas apontam a privatização de algumas empresas públicas, que "podem aumentar as tensões entre João Lourenço e o MPLA [Movimento Popular de Libertação de Angola]", no poder, devido às "redes de favorecimento" que existiam no tempo do anterior Presidente.

A Fitch Solutions alerta ainda para a possibilidade de o descontentamento público aumentar devido às medidas de consolidação orçamental: "O descontentamento da sociedade civil tem sido relativamente silencioso desde que Lourenço sucedeu a José Eduardo dos Santos em 2017, com a sua campanha anti-corrupção a receber apoio de grande parte do eleitorado".

No entanto, acrescentam, "apesar das promessas de um milagre económico, a economia de Angola manteve-se numa longa recessão durante três anos devido à descida no ciclo do petróleo, e a previsão para um regresso de 2,2% de crescimento positivo este ano ainda está abaixo da média de 4,5% entre 2010 e 2015".

Por outro lado, concluem, a implementação do IVA em Julho, seis meses depois do prazo inicialmente previsto, vai incidir sobre produtos básicos e pesar na carteira dos consumidores.

"As autoridades afirmaram que vários bens da cesta básica vão ser isentos de impostos, mas as pressões para atingir uma maior consolidação orçamental ao abrigo do programa do FMI levam-nos a acreditar que o IVA vai pesar no poder de compra dos consumidores quando for implementado", concluem.

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