O valor foi cedido ao Projecto de Apoio ao Crédito (PAC) por cinco bancos que aderiram ao programa, que visa a redução da importação e diversificação da economia.

Trata-se dos bancos Caixa Geral de Angola, que cedeu 13 mil milhões 667 milhões e quinhentos mil kwanzas, Prestigio (mil e cem mil milhões), Sol, Crédito do Sul e Económico que disponibilizaram cinco mil milhões cada.

Os memorandos de entendimento foram assinados nesta quinta-feira, em Luanda, pelo ministro da Economia e Planeamento, Sérgio dos Santos, os presidentes dos conselhos de administração do Banco de Desenvolvimento de Angola, Henda Inglês, e do Fundo de Garantia de Crédito, Manuel Passos, com os representantes das cinco instituições financeiras.

Com adesão destes novos bancos, o PAC tem disponíveis duzentos e sete mil milhões setecentos e sessenta e sete milhões e quinhentos mil kwanzas, para financiar o PRODESI.

O valor anteriormente existente (cento e noventa e oito mil milhões de kwanzas) é  garantido pelo BPC, BIC, SKA, BAI, BNI, BCH, BMA, BCI e BFA.

Em declarações à imprensa, o ministro Sérgio do Santos disse esperar que a parceria traga benefícios para as partes, principalmente, para os investidores  cuja produção se enquadra nos 54 produtos elencados pelo Prodesi.

Disse ser um valor bastante significativo, sendo que os investidores têm uma oportunidade de acesso a financiamentos que deverão ser transformados em bons negócios, visando o bem-estar das famílias, promoção do emprego e aumento da receita fiscal não petrolífera.

Segundo o ministro, a ideia é trazer para os empresários uma réstia de esperança porque realmente “é muito difícil fazer negócios em Angola e temos de tornar cada vez mais fácil esta actividade, para o bem-estar das famílias”.

Informou que em 2019 o Prodesi teve apenas 19 projectos aprovados, contra os 189 dos primeiros seis meses deste ano.

Sublinhou que a ideia é chegar aos 500 projectos aprovados até ao final deste ano.

Apoio aos investidores

O ministério tem um serviço de apoio aos empresários, para constituir convenientemente os dossiers a remeter aos bancos para solicitação de financiamento, a julgar pelas irregularidades e desorganização de muitos empreendedores.

Referiu que um dos constrangimentos tinha a ver com as dívidas fiscais e na Segurança Social, ultrapassado mediante a emissão de uma certidão de compromisso, segundo o qual os empresários vão liquidar as suas dívidas.

Outra dificuldade relaciona-se com a emissão do títulos de concessão de terrenos, também já ultrapassada mediante negociações com os governos provinciais que o fazem em tempo célere.

O problema com a contabilidade registado em algumas empresas, do qual os bancos muito se queixam, ficou resolvido, de acordo com Sérgio dos Santos, no quadro de uma acordo entre o ministério e a Ordem dos Contabilistas que organiza a contabilidade de algumas empresas.

Deste modo, disse, os empresários podem constituir o dossier à remeter aos bancos em menos de dois meses.

“Se as empresas se organizarem vão mais facilmente ter contacto com o banco e este faz rapidamente o seu papel”, asseverou.

Fez uma avaliação positiva dos dois anos de existência do Prodesi, pois a já é visível o aumento da produção nacional e a redução da importação, apesar de não abordar números.

O Programa de Apoio ao Crédito (PAC), que se insere no Prodesi,  é um instrumento que facilita o acesso ao crédito para os produtores  que queiram se dedicar à produção de bens da lista dos 54 produtos, com destaque para os da cesta básica  e outros, considerados essenciais.

Fazem parte dos 54 produtos embalagens de vidro, farinha de trigo, abacaxi, açúcar, água de mesa, feijão, ovos, óleo, cebola, sal, cimento, detergentes, fraldas descartáveis, milho, fuba de milho e de bombó, guardanapos, papel higiénico, rolos de papel para cozinha, leite, lixívia, mandioca, manga, massa alimentar, mel, entre tantos outros.

Esse projecto surge para materializar o Programa de Produção Nacional, Diversificação das Exportações e Substituição de Exportações (Prodesi), criado pelo Executivo em 2018.

Quatro mil milhões para o micro-negócios

Também hoje foram assinados contratos entre o Fundo Activo de Capital de Risco e a Angolano (FRACA) com oito sociedades de micro-crédito, que vão operacionalizar a terceira linha de créditos de medidas de alívios dos efeitos económicos e financeiro negativos, avaliada em quatro mil milhões de kwanzas.

A referida linha de credito visa dinamizar a actividade de micro-negócios no sectores de processamento alimentar, logística e distribuição de produtos agro-alimentares e de pesca.

Vão também beneficiar as micro-empresas viradas para a produção cultural e artística, desenvolvimento de software e outros produtos e serviços que constituem a cadeia de agro-negócios.

O dinheiro foi disponibilizado a Kixicrédito , Fácilcred, Wiliete Crédito, Kif Crédito, Nespecred, Gingacre, Multicrédito e Cooperafaje, aos quais os médios e micro-empreendedores deverão solicitar crédito para alavancar a sua actividade, a uma taxa que varia ente os 1 e 3 porcentos.

Pela FRACA assinou o coordenador da comissão de Restruturação, Teodoro Poulson e pelas sociedades os seus representantes.

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