“O trabalho que nos espera é um grande desafio. Mas estamos confiantes que com o apoio que temos tido, que tivemos no reforço institucional, preparação dos recursos humanos, estudos feitos, conhecimento do setor a experiência a que temos estado expostos, conseguiremos ultrapassar estes desafios e tornar este projeto uma realidade dando receitas ao país”, afirmou Francisco Monteiro.

O presidente e diretor executivo da Timor Gap falava à Lusa depois da concretização, em Singapura, da compra pela petrolífera timorense de uma participação de 56,56% no consórcio do Greater Sunrise.

Em entrevista à margem da compra por Timor-Leste de uma participação maioritária no consórcio do Greater Sunrise, no mar de Timor, o regulador adiantou que o acordo com a Austrália permitirá às autoridades dos dois países aprovar os diplomas legislativos necessários, abrindo a porta à ratificação do tratado permanente de fronteiras marítimas.

“Foi um grande dia para Timor-Leste, mas foi também um grande dia para a Timor Gap e um dos maiores marcos na história da empresa”, disse O presidente e diretor executivo da Timor Gap.

“Pela primeira vez comprámos uma participação num recurso muito ativo. Os nossos colegas da Conoco e da Shell [que venderam as participações], apesar da saírem, reconhecem que este é um recurso de grande qualidade”, observou.

Francisco Monteiro explicou que nas próximas semanas é necessário resolver várias questões administrativas com o consórcio, nomeadamente a transferência de dados e informação, e depois um diálogo com os parceiros Woodside (operadora) e Osaka Gas para definir o plano de desenvolvimento.

“Precisamos de trabalhar nos PSC [contratos de partilha de produção] e, ao mesmo tempo, trabalhar no conceito de desenvolvimento dos campos que queremos ver aprovado antes do final do ano”, adiantou.

“Isso permitirá avançar um plano de desenvolvimento no próximo ano. E com isso aprovado, poderemos chegar a uma decisão final de investimento em 2021”, acrescentou.

Questionado sobre se a Woodside poderá ser um obstáculo, Monteiro disse que desde a assinatura do tratado de fronteiras marítimas entre Timor-Leste e a Austrália se entrou “num novo capítulo” na relação, tanto entre os dois governos como com o setor privado.

“Tivemos diferenças no passado sobre desenvolvimento do campo, mas agora é do interesse do Governo e do setor privado de que este campo seja desenvolvido”, garantiu.

“Está parado há 40 anos, não queremos perder mais 10 ou 20 anos sem fazer nada. Não é do interesse de ninguém ficar parado. Este campo é reconhecido como um dos melhores do mundo, por isso não faz sentido não o desenvolver”, sustentou.

Por isso, a Timor Gap quer trabalhar “com uma postura colaborativa, de cooperação” em que a Woodside “será um parceiro com quem trabalhamos de mãos dadas para desenvolver o projeto”, indicou.

Francisco Monteiro disse, por outro lado, que ainda não é conhecida a posição do outro parceiro do consórcio, a Osaca Gás, sobre o modelo de desenvolvimento.

Numa entrevista anterior, Francisco Monteiro, disse que Timor-Leste quer evitar recorrer ao Fundo Petrolífero para financiar os custos de capital de até 12 mil milhões de dólares norte-americanos para o desenvolvimento do projeto do gasoduto para Timor-Leste e processamento na costa sul.

Após o início da produção, é esperado um retorno financeiro que pode alcançar os 28 mil milhões de dólares, explicou.

Globalmente, incluindo o Greater Sunrise, a Timor Gap diz que o país tem um potencial equivalente a mais de 6,3 mil milhões de barris de petróleo por explorar nos próximos 50 anos, com um valor de 378 mil milhões de dólares.

Esse potencial de exploração poderá representar uma injeção de 223 mil milhões de dólares na economia, em serviços como engenharia, desenvolvimento, manutenção e operações, e benefícios fiscais e rendimentos públicos de mais de 47 mil milhões.

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