O chefe de Estado falava em Lisboa, na conferência de imprensa que encerrou a visita de três dias a Portugal, tendo utilizado propositadamente uma expressão semelhante à utilizada durante o Estado Novo, pelo então ditador António de Oliveira Salazar, quando a guerra colonial se instalou em Angola.

“A maneira ideal de Portugal fazer essa participação [no desenvolvimento económico angolano] é sobretudo os investidores portugueses fazerem as malas e irem para Angola. Eu não gosto muito de utilizar essa expressão, mas vou fazê-lo: E em força”, disse.

“Nós gostaríamos de ver os empresários portugueses em força em Angola, sobretudo as pequenas e médias empresa, de praticamente todos os ramos da economia, da agricultura, das pescas, do turismo, das várias indústrias. Se Portugal fizer isso, Angola agradece”, enfatizou João Lourenço.

O Presidente angolano voltou a assumir que o processo de certificação e liquidação das dívidas do Estado às empresas portuguesas está em curso e será levado até final.

Questionado sobre o atual momento da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) e com Angola na linha de sucessão para assumir, em 2020, a presidência daquele organismo, João Lourenço apontou a necessidade de mudanças.

“A nossa opinião geral é que nós podemos explorar um pouco mais as possibilidades que a CPLP nos dá. Não exploramos ao máximo, isto é uma apreciação geral. Agora, temos que ver como é que podemos sair desta situação, para maximizar as potencialidades que a CPLP nos oferece”, disse ainda.

Esta visita de Estado de três dias é também a primeira do género de um Presidente angolano a Portugal desde 2009, e envolveu a assinatura de 13 acordos entre os dois governos, tendo João Lourenço anunciado ainda que o chefe de Estado português, Marcelo Rebelo de Sousa, visitará Angola em 2019.

Durante a visita, João Lourenço disse antever "um futuro promissor" nas relações entre Portugal e Angola, e prometeu um “clima desanuviado” nas relações entre Luanda e Lisboa.

A visita de Estado termina hoje e o Presidente regressa a Luanda no domingo.

PVJ // CSJ

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