Estes barcos, disse, entravam dentro das quatro milhas permitidas por lei aos pescadores artesanais,  arrastando grandes quantidades de pescado  de várias espécies, beneficiando da quase inexistente fiscalização marítima que se fazia sentir na altura.

Fazendo uma comparação da captura da lagosta, José Faria afirmou que, há cerca de 15 anos, uma embarcação artesanal era capaz de trazer 60 quilos por dia, enquanto que nos dias de hoje, pode não passar dos cinco quilos.

Fez questão de lembrar que, devido a abundância naquele tempo, “os populares do Egipto Praia comiam a lagosta com funge, fazendo dela o prato do dia”.

Por outro lado, muitos empresários do ramo hoteleiro da província e não só visitavam a localidade a procura daquele crustáceo, muito apreciado na gastronomia angolana.

Situação semelhante está a acontecer com o peixe, cujas capturas estão muito aquém dos resultados anteriores.

Actualmente, os pescadores artesanais têm de fazer acima de vinte milhas, violando a lei, chegando a atingir áreas da vizinha província do Cuanza Sul, a norte, ou ultrapassando zonas do município do Benguela, a sul, para conseguir trazer algum pescado.

A título de exemplo, o administrador referiu-se aos 200 ou 300 quilos de peixe que trazem em cerca de seis dias, contra os 600 ou 700 que eram capturados diariamente.

Em função disso, o Centro de Apoio à Pesca  Artesanal, inaugurado no  dia 11 de Fevereiro deste ano, naquela localidade, está a trabalhar muito abaixo das suas capacidades, devido a pouca quantidade do pescado, recebida dos pescadores para conservação.

Este centro ocupa uma superfície de 1242 metros cúbicos e conta com uma sala de processamento, tratamento e conservação do peixe e com um armazém.

Em termos de equipamento,  possui  um túnel de congelação com capacidade de dez toneladas e uma câmara frigorífica de sete toneladas, dois geradores de 100 Kva cada um e dois painéis solares de 250 Kva cada.

O Egipto Praia conta com uma cooperativa com cerca de 200 pescadores, onde estão registados 93 embarcações, composta na sua maioria por barcos a malhadeira e uns poucos a motor, segundo dados da Administração local.

Na sua rede favorita

Siga-nos na sua rede favorita.