Há um ano, a operadora de jogo com seis casinos em Macau apresentou lucros de 6.680 milhões de dólares de Hong Kong (732 milhões de euros) nos seis primeiros meses de 2019.

Apesar dos maus resultados, o presidente do grupo, Lui Che Woo, mostrou-se satisfeito com ser autorizada desde quarta-feira a emissão de vistos turísticos individuais e de grupo a residentes de Zhuhai e com a possibilidade de vir a ser alargada a toda a província de Guangdong em 26 de agosto se a situação pandémica em ambos territórios se mantiver estável.

“Estamos satisfeitos pelo facto de Macau e Guangdong terem dado o passo crítico na criação de uma ‘bolha’ de viagem”, indicou em comunicado.

“Apesar destes importantes passos positivos iniciais, é prematuro comentar sobre a rapidez com que o mercado pode recuperar”, ressalvou.

No comunicado divulgado hoje pela bolsa de Hong Kong, o grupo Galaxy Entertainment anunciou ainda perdas no EBITDA (lucros antes de impostos, juros, amortizações e depreciações) de 1.087 milhões de dólares de Hong Kong (119 milhões de euros), quando no mesmo período do ano passado tinha apresentado ganhos de 8.315 milhões de dólares de Hong Kong (911 milhões de euros).

Se contabilizarmos apenas o segundo trimestre, os resultados ainda são piores: perdas de 1.370 milhões de dólares de Hong Kong (150 milhões de euros) no EBITDA.

Os maus resultados são derivados de uma diminuição de 76% nas receitas de janeiro a junho, que se fixaram em 6.223 milhões de dólares de Hong Kong (682 milhões de euros).

Ainda assim, Lui Che Woo indicou que o grupo permanece sólido, já que possui 49,8 mil milhões de dólares de Hong Kong (5,46 mil milhões de euros) em caixa e investimentos líquidos de 43,6 mil milhões de dólares de Hong Kong (4,78 mil milhões de euros).

O resultado negativo, à semelhança do que aconteceu com as restantes operadoras de casinos em Macau, é explicado pelo impacto da pandemia do novo coronavírus, que obrigou o território a adotar restrições fronteiriças, com graves repercussões no mercado turístico associado ao jogo.

No início do mês, a Direção de Inspeção e Coordenação de Jogos (DICJ) avançou com dados que apontavam para uma queda nas receitas do jogo em Macau de 94,5% em julho, em relação a igual período de 2019.

Os números indicavam ainda que nos primeiros sete meses do ano as perdas dos casinos em relação ao ano anterior foram de 79,8%.

E julho não foi o pior mês do ano para as operadoras. No mês anterior, os casinos já haviam registado uma queda de 97% das receitas.

Os casinos de Macau tinham fechado 2019 com receitas de 292,4 mil milhões de patacas (cerca de 24,7 mil milhões de euros).

Com os vistos turísticos da China para Macau suspensos, o número de visitantes provenientes do interior da China chegou a cair em maio 99,4%, em termos anuais.

Capital mundial do jogo, Macau é o único local na China onde o jogo em casino é legal. Três concessionárias (Sociedade de Jogos de Macau, Galaxy e Wynn) e três subconcessionárias (Venetian, MGM e Melco) exploram casinos naquela que é muitas vezes apelidada de Las Vegas da Ásia, mas que há muito ultrapassou as receitas dos casinos registadas naquela cidade norte-americana.

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