O avião do tipo Bombardier da "Uganda Airlines" aterrou na capital queniana, Nairobi, o primeiro voo depois companhia aérea nacional retomar as operações no final de agosto.

Após vinte anos de paragem, os ugandeses estão muito orgulhosos deste projeto nacional, diz o analista Angelo Izama: "A julgar pelas reações na internet até parece que estamos a enviar alguém para a lua".

Os motivos do Governo ugandês não se prendem tanto com o orgulho nacional e são mais pragmáticos. Os ugandenses gastam cerca de 450 milhões de dólares norte-americanos em viagens aéreas com empresas estrangeiras. É dinheiro que ficará no país se optarem pela companhia nacional.

No Malawi, o Governo agora detém a maioria nas "Malawian Airlines". O Gana está a planear uma nova companhia aérea pan-africana, enquanto a Tanzânia e o Senegal estão também a tentar revitalizar as suas companhias aéreas. Para mantê-la operacional, a África do Sul injeta somas generosas na empresa estatal "South African Airways".

Vantagens das companhias estrangeiras

Muitos passageiros optam por companhias estrangeiras, porque as nacionais são demasiado caras, diz o analista ugandês Angelo Izama. "O preço é um problema. Alguma coisa tem de mudar. Um voo de 50 minutos de Entebbe para Nairobi custa quase 300 dólares. É muito dinheiro."

Andrew Wasike, correspondente da Deutsche Welle no Quénia, diz que outro motivo são as péssimas ligações: "Imagine que alguém quer viajar do Quénia para a África Central. Já me aconteceu: tive que voar primeiro para a África Ocidental, e depois voltar dali para a África Central. E quem estiver no norte de África tem que sair primeiro do continente africano", critica.

Wasike também lembra os muitos casos de corrupção em que esteve envolvida a maior companhia aérea do país, a Kenya Airways. O Parlamento queniano acaba de decidir nacionalizar a companhia falida depois de ter sofrido grandes perdas em anos anteriores.

Mercado em crescimento

Entretanto, as perspetivas são fantásticas em África. O mercado africano deve crescer cerca de 5% ao ano nos próximos 20 anos, de acordo com estimativas da associação internacional de companhias aéreas IATA.

Porém, por enquanto, as linhas aéreas africanas não conseguem esgotar as capacidades. Em 2018 ocuparam apenas 71% dos lugares, quando a média global é de 82%. Este ano irão acatar com perdas no montante de 100 milhões de dólares.

Não obstante todas as dificuldades, o analista Izama considera o projeto do Governo ugandês de salvar a linha aérea nacional importante. E também o queniano Andrew Wasike diz: "Acho que estamos a voar na direção certa."

por:content_author: Carolin Born, ck

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