O ministro alemão do Desenvolvimento, Gerd Müller, anunciou mais ajuda para combater a pandemia do coronavírus em África. A Etiópia será apoiada com 120 milhões de euros, disse Müller aos jornais do grupo de média alemão Funke, localizado na cidade de Essen na Alemanha.

Os fundos devem ser utilizados para a estabilização e expansão de infraestruturas sanitárias.

As medidas destinam-se igualmente a apoiar o processo de reforma do primeiro-ministro e Prémio Nobel da Paz Abyi Ahmed, que notadamente alcançou avanços no que se refere à liberdade de imprensa, à luta contra a corrupção e à modernização económica, afirmou Müller.

Estes sucessos estão em grande perigo, advertiu. "Na Etiópia, as exportações para a Europa diminuíram em um terço. As fábricas estão a fechar, já se perderam 1,5 milhões de postos de trabalho. Muitos Milhões de pessoas estão a entrar na pobreza", descreve o ministro.

"Evitar uma catástrofe" em África

O ministro alemão do Desenvolvimento referiu-se igualmente às estimativas de

Organização Mundial de Saúde (OMS), segundo a qual, em África, no período de um ano, 30 a 40 milhões de pessoas poderiam ser infetadas pelo coronavírus.

De acordo com o Centro de Controlo e Prevenção de Doenças da União Africana, este domingo (10.05), o número de casos da Covid-19 em África ultrapassou os 60 mil e 2.223 pessoas morreram em 53 países.

A Alemanha e a Europa são chamadas a "evitar uma catástrofe em África", afirmou Müller. "Aqui podemos prestar uma ajuda específica, através da criação de capacidade de produção de kits de teste em África, capacidade laboratorial, tecnologia médica e equipamentos respiratórios", avaliou.

A crise da Covid-19 está a destruir os êxitos de desenvolvimento de anos, lamentou o ministro alemão. O colapso das exportações e das receitas ameaça a estabilidade dos Estados africanos. "Temos de evitar que países inteiros vão à falência e que motins e guerras civis desenvolvam-se", acrescentou Müller.

Ajudar a África Oriental

O ministro alemão do Desenvolvimento, Gerd Müller, alertou ainda para a fome na África Oriental devido à pandemia da Covid-19. A pandemia acentua as já graves consequências da praga de gafanhotos na região, disse Müller ao portal online T-Online. Em vários países, disse ele, a contenção da peste estaria a ser bloqueada pelas restrições iniciais impostas devido ao coronavírus. Em resultado disso, a crise da fome é ameaçadora.

A Etiópia, o Quénia e a Somália são países particularmente atingidos, afirmou Müller. "A Somália declarou o estado de emergência. Milhões de gafanhotos estão a comer os campos vazios. Isso significa: nenhum alimento, nenhuma semente nova, nenhum alimento para os animais", explicou.

No total, só na África Oriental, mais de 25 milhões de pessoas estão ameaçadas pela fome, advertiu o ministro. "São as populações [dos estados alemães] da Baviera, de Baden-Württemberg e de Hamburgo juntas", comparou.

Müller apelou à comunidade internacional para que ajude mais as pessoas afectadas. "A praga dos gafanhotos e a crise do coronavírus não devem conduzir à fome, à miséria, à deslocação e, em última análise, a movimentos incontroláveis de refugiados", concluiu o ministro alemão do Desenvolvimento, Gerd Müller.

por: AFP, Reuters, EPD, cvt

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