“Nos mercados, se um banco usar as suas reservas é algo que é visto como negativo — eu acho que os mercados devem enquadrar isso como algo normal numa crise”, disse Andrea Enria numa entrevista ao Financial Times, divulgada no ‘site’ da Supervisão Bancária europeia.

O responsável deu o exemplo da utilização de linhas de liquidez, “que tem o efeito imediato de aumentar os ativos ponderados pelo risco e reduzir a posição de liquidez dos bancos”.

“Se isto fosse visto como um desenvolvimento negativo, os bancos teriam todo o incentivo para evitá-lo. Isto resultaria na falta de ‘oxigénio’ financeiro para as empresas numa altura importante desta crise”, acrescentou.

Por isso, Andrea Enria defende que “todos devem alinhar e perceber que este é o momento em que, em linha com a construção que fizemos depois da última crise, as reservas precisam de ser usadas”.

“Na verdade, têm de ser bem utilizadas”, enfatizou o responsável italiano, que garantiu que o BCE está a “monitorizar de perto a posição de liquidez dos bancos”, garantindo que para já “não há nada com que ficar preocupado”.

No entanto, Andrea Enria reconheceu que poderá haver uma altura em que seja necessário “monitorizar a situação com uma atenção mais próxima”, mas não o fará “imediatamente após o requisito de 100% de liquidez ser atingido”.

Relativamente ao papel da supervisão, Andrea Enria crê que criou “muito espaço” e demonstrou ser “flexível e pragmática”.

“Vamos mover-nos de acordo com as circunstâncias”, asseverou, mostrando-se ainda satisfeito com o facto de a União Bancária, apesar de ainda não estar completa, estar já “a funcionar”.

O Banco Central Europeu (BCE) pediu na sexta-feira aos bancos dos 19 países da zona euro para não pagarem dividendos ou recomprarem ações próprias enquanto durar a pandemia de covid-19, anunciou em comunicado a instituição financeira.

O novo coronavírus, responsável pela pandemia da COVID-19, já infetou mais de 791 mil pessoas em todo o mundo, das quais morreram mais de 38 mil.

Dos casos de infeção, pelo menos 163 mil são considerados curados.

Depois de surgir na China, em dezembro, o surto espalhou-se por todo o mundo, o que levou a Organização Mundial da Saúde (OMS) a declarar uma situação de pandemia.

O continente europeu, com quase 439 mil infetados e mais de 27.500 mortos, é aquele onde se regista atualmente o maior número de casos, e a Itália é o país do mundo com mais vítimas mortais, com 11.591 mortos em 101.739 casos confirmados até segunda-feira.

Em Portugal, segundo o balanço feito hoje pela Direção-Geral da Saúde, registaram-se 160 mortes, mais 20 do que na véspera (+14,3%), e 7.443 casos de infeções confirmadas, o que representa um aumento de 1.035 em relação a segunda-feira (+16,1%).

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