“Já não há casinos em construção, já investiram o que havia a investir, cada um [dos seis operadores] gastou 20 mil milhões de patacas [2,25 mil milhões de euros] nos últimos dois, três anos, pelo que isto vai puxar a economia para baixo”, explicou Albano Martins, sustentando que alguma da construção atual “não é muito significativa”.

O economista José Pãosinho destacou o facto de Macau estar “amarrado ao jogo”, pelo que a economia é afetada porque “não se prevê a construção de novos ‘resorts'”, com implicações negativas na Formação de Capital Bruto Fixo, um indicador que inclui bens produzidos ou adquiridos por entidades locais.

O baixo investimento público é outra das razões apontadas pelos economistas.

Albano Martins estima que em 2019 este não deverá superar os 10 mil milhões de patacas (1,1 mil milhões de euros).

Por seu lado, José Pãosinho disse não vislumbrar grande margem de evolução nesta área, como por exemplo a construção de infraestruturas de grande dimensão, assinalando que a participação de Macau no projeto de Pequim de se criar uma metrópole mundial não terá um efeito imediato na economia do território.

“Macau é jogo e pouco mais. Sem construção, sem investimento, sem Formação de Capital Bruto Fixo e com as receitas de jogo a caírem, com esta tendência a projeção do FMI até nem é má”, sublinhou Albano Martins.

José Pãosinho evidenciou o facto de a economia de Macau estar refém dos resultados dos casinos e lembrou que “as receitas do jogo VIP foram aquelas que tiveram um maior colapso”.

O cenário global, portanto, acrescentou, “é de um forte contributo negativo para a economia”.

Na terça-feira, o FMI reviu em baixa as previsões no relatório Perspetivas Económicas Globais para Macau este ano, antecipando agora uma recessão de 1,3% e nova contração da economia, de 1,1%, em 2020.

Uma forte revisão em baixa, já que no último relatório, em abril, antecipava-se um crescimento acima dos 4% para este ano.

A economia de Macau está em recessão desde o primeiro semestre. Os dados divulgados em agosto pelas autoridades mostravam uma contração de 1,8% no segundo trimestre, que ainda assim melhorou ligeiramente face à contração de 3,2% registada nos primeiros três meses do ano face ao período homólogo.

No primeiro semestre, a economia macaense registou uma contração de 2,5%, de acordo com os dados oficiais.

A 09 de setembro, uma semana após os casinos de Macau terem registado uma queda de 8,6% das receitas provenientes do jogo, a segunda descida consecutiva e a mais acentuada do ano, o Governo de Macau antecipou uma retração económica no terceiro trimestre do ano.

Razões avançadas pelas autoridades: a queda acentuada das receitas do jogo e a escalada da guerra comercial entre a China e os Estados Unidos.

O secretário para a Economia e Finanças de Macau, Lionel Leong, garantiu então que “o Governo continuará atento ao desenvolvimento e à variação da economia de Macau e do exterior, mantendo a comunicação com os setores financeiros e outros, e a acompanhar constantemente possíveis variações da taxa de desemprego e da capacidade de consumo, bem como a avaliar a pressão sentida pelo sistema financeiro”.

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