A filha do antigo Presidente José Eduardo dos Santos é accionista do banco e a decisão deverá tornar mais difícil para a empresária, o seu marido Sindika Dokolo e seus associados poderem movimentar fundos, abrir contas ou obter crédito, disseram analistas financeiros.

Documentos revelados em milhares de  ficheiros e e-mails pelo Consórcio Internacional de Jornalistas de Investigação (ICIJ) indicam que Isabel dos Santos e o seu marido estavam já há vários anos com dificuldades em abrir contas em diversos bancos internacionais, como o Citigoup, o Deutch Bank, o banco espanhol Santander e o Barclays Bank.

Uma subisidiaria do Citi preferiu pagar 15 milhões de dólares à empresa Amorim Energia como compensação por se ter retirado de um acordo de financiamento com essa companhia portuguesa devido às suas ligações com uma companhia em que o marido de Isabel dos Santos, Sindika Doklo possuia interesses.

O EuroBic diz que devido ”à percepção pública de que este Banco possa não cumprir integralmente as suas obrigações pelo facto da eng. Isabel dos Santos ser um dos seus accionistas de referência”, o Conselho de Administração tinha decidido “encerrar a relação comercial com entidades controladas pelo universo da accionista eng. Isabel dos Santos e pessoas estreitamente relacionadas com a mesma”.

No seu comunicado, o EuroBic afirma que a decisão está ligada às alegações que já depois de ter sido demitida da direcção da Sonangol, Isabel dos Santos ordenou a transferência de 58 milhões de dólares para a companhia Matter DMCC, controlada pela sua parceira comercial de longa data, Paula Oliveira.

O director dessa companhia era Mário da Silva um associado de Isabel dos Santos.

Isabel dos Santos nega ter cometido qualquer ilegalidade e afirmou que os pagamentos foram feitos antes de ela saber que tinha sido demitida por serviços prestados à Sonangol por essa companhia.

Contudo, documentos revelados pelo ICIJ revelam que as facturas de alguns dos pagamentos têm datas anteriores a qualquer acordo entre a Matter e a Sonangol e outras facturas foram criadas depois de dos Santos ter sido demitida.

O EuroBic, que esteve envolvido nos pagamentos, afirma que ”no respeito pelos deveres de sigilo bancário a que o banco está sujeito, apenas podemos esclarecer publicamente que os pagamentos ordenados pela cliente Sociedade Nacional de Combustíveis de Angola (Sonangol) à Matter Business Solutions respeitaram os procedimentos legais e regulamentares formalmente aplicáveis no âmbito da regular relação comercial existente entre este Banco e a Sonangol, designadamente os que se referem à prevenção do branqueamento de capitais”.

O banco decidiu também solicitar uma auditoria aos movimentos referentes a esse caso.

A nota do banco não se refere contudo a outras alegações reveladas nos documentos nomeadamente a transferência de 28 milhões de dólares usados no financiamento na compra de 65% da companhia portuguesa Efacec.

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